O queijo-de-minas é patrimônio cultural brasileiro

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O queijo-de-minas é patrimônio cultural brasileiro

Conhecido dos brasileiros de Norte ao Sul e de Leste ao Oeste – e bastante apreciado, sobretudo à mesa do café da manhã –, o queijo-de-minas é reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro desde 2008. A sua história remonta a quase três séculos, ainda nos tempos do Brasil colônia, mais exatamente nos primórdios da exploração do ouro e demais metais preciosos das Minas Gerais. Era preciso um alimento forte para aquela gente que varejava garimpos, e a partir do talho do leite veio o queijo como produto resultante desta busca por fontes de proteína para aqueles trabalhadores.

O pintor francês Jean-Baptiste Debret, famoso por seus quadros retratando o Brasil do período pré e pós Independência, foi um dos primeiros a perceber que no país se fabricava um “produto diferente”, que era consumido após as refeições – o queijo-de-minas. Ele chegou ao país integrando uma comitiva de representantes da França, logo após a queda de Napoleão Bonaparte, entre os quais também estava o botânico e naturalista Auguste Saint-Hilaire, autor de uma diversificada literatura sobre o Brasil. Especialmente, de sua flora e vegetação, de onde os brasileiros, já àquela época, retiravam inúmeras ervas medicinais para o tratamento de doenças, o que foi percebido pelo cientista francês.

Ele chegou, inclusive, a anotar a receita de como se preparar o queijo-de-minas. Escreveu Saint-Hilaire:

“Tão logo o leite é tirado coloca-se nele o coalho, o que o faz talhar-se instantaneamente. O coalho mais usado é o de capivara, por ser mais facilmente encontrado. As fôrmas são de madeira e de feitio circular, tendo o espaço livre interno mais ou menos o tamanho de um pires. (…) O leite talhado é colocado dentro delas em pequenos pedaços, até enchê-las. Em seguida a massa é espremida com a mão, e o leite cai dentro de uma gamela colocada em baixo. À medida que a massa é talhada vai sendo comprimida na fôrma, nova porção é acrescentada, continuando-se a espremê-la até que a fôrma fique cheia de uma massa totalmente compacta. Cobre-se de sal a parte superior do queijo, e assim ele é deixado até a noite, quando então é virado ao contrário, pulverizando-se também de sal a parte agora exposta”.

Durante todo este tempo pouco se alterou no modo de fabricação do leite. Hoje, por exemplo, não se usa mais o coalho da capivara, até mesmo porque não é mais “facilmente encontrado”. Provavelmente no intuito de não permitir a apropriação do brasileiríssimo “queijo-de-minas” por estrangeiros, em 1953 uma lei federal determinou que a sua fabricação e comercialização só poderiam ocorrer dentro do território de Minas Gerais.

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