Encontro em Pouso Alegre atrai pesquisadores à Mantiqueira

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Encontro em Pouso Alegre atrai pesquisadores à Mantiqueira

O V Encontro Internacional de Estudos da Linguagem levou à cidade de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, pesquisadores de diferentes estados e regiões do Brasil, com a presença de convidados de universidades francesas.

Realizado pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), com o tema geral “Linguagem, tecnologia e espaço social”, o objetivo do Encontro foi “proporcionar o intercâmbio de pesquisas realizadas nos diferentes domínios dos estudos da linguagem”. E, com isso, colocar “em circulação a produção de conhecimento acadêmico que se vem desenvolvendo” nas universidades brasileiras.

A roça, o meio rural, esteve presente entre os temas das pesquisas apresentadas. A pós-graduanda da Univás, Evangela Maria de Carvalho, por exemplo, apresentou em um dos simpósios seu trabalho “Reconstruindo sentidos: o uso de novas tecnologias no ensino fundamental em ‘região rural’”. Outros dois pesquisadores abordaram o tema “O ensino e aprendizagem de inglês em cursos de agropecuária”.

O Encontro teve conferências, simpósios temáticos e a apresentação de trabalhos de pesquisas, com expressiva diversidade de temáticas. A pesquisa de Susana Braga de Souza, da Universidade Federal do Pará, por exemplo, trata de “História, cultura e linguagem na aldeia Anambé, no município de Moju-Pará”. Professora do ensino básico e doutoranda, ela é nascida nessa aldeia. Outra pesquisa sobre os anambés é a de Maria Raimunda Correa da Cruz, também da Universidade do Pará, intitulada “Olha o curumim: o papel da criança indígena em práticas sociais e culturais da aldeia indígena Anambé”.

O Encontro de Estudos da Linguagem é realizado a cada dois anos, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Univás, cuja coordenação é da professora Eni Orlandi. Autora de diversos livros sobre análise de discurso, tradutora da obra do linguista francês Michel Pêcheaux, cujos estudos introduziu nas universidades brasileiras, Orlandi lecionou por 12 anos na Universidade de São Paulo (USP), transferindo-se depois para a Unicamp, em Campinas (SP), onde fundou o Laboratório de Estudos da Linguagem.

 

Mas, pera aí!!!, exclama um leitor da Porteira.

“O que é essa tal de ‘análise de discurso’”?

Quem já ouviu falar, aqui, na Porteira do Mato, em “Análise de Discurso”? Não é um conceito tão complicado. No fundo, em miúdos de feira, trata-se de saber, com essa análise, quem diz o quê, para quem e como e por que o diz dessa ou daquela maneira. E saber quem é o autor desse discurso, quem o reproduz? Ou será que a autoria do discurso é outra, que não nós mesmos, que o dizemos e afirmamos, com todas as letras?

Uma boa resposta – ou talvez, a melhor delas – é a da própria professora Eni Orlandi, no prefácio de seu livro “Análise de discurso – princípios e procedimentos”. Ela escreveu que essa análise é:

“Problematizar as maneiras de ler, levar o sujeito falante ou o leitor a se colocarem questões sobre o que produzem e o que ouvem nas diferentes manifestações da linguagem.

“Perceber que não podemos não estar sujeitos à linguagem, a seus equívocos, sua opacidade. Saber que não há neutralidade nem mesmo no uso mais aparentemente cotidiano dos signos. A entrada no simbólico é irremediável e permanente; estamos comprometidos com os sentidos e o político. Não temos como não interpretar (…)”.

 

Controlando o que se diz

Mais adiante, nesse mesmo texto, Orlandi escreve que “(…) toda formação social tem formas de controle da interpretação, que são historicamente determinadas: há modos de se interpretar, não é todo mundo que pode interpretar de acordo com sua vontade, há especialistas, há um corpo social a quem se delegam poderes de interpretar (…). Os sentidos estão sempre ‘administrados’, não estão soltos (…). Ao falar, interpretamos. Mas, ao mesmo tempo, os sentidos parecem já estar sempre lá”.

Eni P. Orlandi - estudos da linguagem

Eni P. Orlandi – V Encontro Internacional de Estudos da Linguagem

Eni Orlandi conversou com a Porteira do Mato e disse das razões e motivações que levaram a Univás e ela própria, pesquisadora e autora renomada, a criar e coordenar um curso de pós-graduação em Ciências da Linguagem no Vale do Rio Sapucaí, em Pouso Alegre, nas franjas da Serra da Mantiqueira.

A pesquisadora disse ter se surpreendido com a procura de alunos de diferentes áreas – até mesmo de campos das ciências exatas ou da contabilidade – pelos Estudos da Linguagem. Autora do livro “Discurso fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional” – leitura imperdível –, com vocês, a pesquisadora do discurso, do sujeito desse discurso e da linguagem, a professora Eni P. Orlandi.

Link para informações sobre o V Encontro Internacional de Estudos da Linguagem.

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