Inferno 2024: nas Gargantas de Alcântara um espetáculo que encanta, conquista e faz pensar

“Uma hora de espetáculo de incrível intensidade, pois a grande tragédia humana que é a narração deInferno coloca-nos frente a frente com as nossas fraquezas, as nossas dúvidas: julgamos os comportamentos da nossa vida que podem levar à condenação. Ou uma autocondenação. Uma consciência que amadurece num lugar particular como estas Gargantas”.

Mario Bolognari, professor de Antropologia Cultural da Universidade de Messina, disse isso nas Gargantas de Alcântara no final de uma das apresentações doInferno de Dante, show que atraiu público para ocasiões especiais no último fim de semana. Muitas personalidades também vieram conhecer o sucesso de bilheteria de recordes: com mais de cem mil espectadores, Infernoé de fato a obra teatral mais vista na Sicília nos últimos anos.

“De vez em quando – acrescentou Bolognari – tentava me distrair da atuação para observar onde estávamos. Isto é, nas entranhas da terra. Para esmiuçar outra tragédia, desta vez da Natureza: a água que atravessa a lava, que escava a pedra. Outros falarão sobre emoções e sugestões. Prefiro destacar como a tragédia humana e a da Natureza se fundem. Acho que é isso que resume essa importante experiência que é visual, olfativa e sonora ao mesmo tempo. Um conjunto de leituras e movimentos que pudemos desfrutar da melhor forma.”

De jeito nenhum Inferno – que, produzido pela Buongiorno Sicilia com a colaboração do Parque Botânico e Geológico das Gargantas, conta com a dramaturgia e direção de Giovanni Anfuso – conta com o patrocínio do MiC, do Ministério da Cultura, da Ars, do Departamento de Entretenimento da Região da Sicília, a Fundação Federico II, a Autoridade do Parque Fluvial de Alcântara e os Municípios de Motta Camastra e Castiglione di Sicilia. E o apoio de patrocinador como Isola Bella Gioielli, Amaro Herbae, Bacco, produtos típicos de pistache, Banca di Credito Cooperativa di Pachino e Puglisauto nova concessionária Kia.

Entre as personalidades não sicilianas que, no último fim de semanaassistiu a reprises de Infernoesteve também presente Dom Antonio Suetta, bispo da diocese de Ventimiglia – San Remo, que sublinhou estar “verdadeiramente encantado, tanto pela cenografia natural, ou seja, pelo magnífico contexto das Gargantas, uma verdadeira surpresa, como pela missa em uma cena magistral e envolvente deInferno de Dante.”

“Os artistas – acrescentou Monsenhor Suetta – foram surpreendentes ao abordar a Divina Comédia de uma forma elevada e ao mesmo tempo simples. O efeito dessa revisitação foi poderoso. Já havia enfrentado a Comédia no ensino médio e vê-la nesse contexto e tão bem organizada me trouxe de volta a beleza e a poesia. E com ela a força moral, religiosa e civil que Dante quis dar à sua obra”.

Os atores foram muito aplaudidos pelo público: a narradora Liliana Randi, Angelo D’Agosta no papel de Dante, Davide Sbrogiò nos de Virgílio, Davide Pandolfo nos papéis de Ugolino e Ciacco, enquanto Giovanna Mangiù deu vida a Francesca da Rimini. . Depois vieram Luciano Fioretto (Turista e Caronte), Francesco Bernava (Farinata degli Uberti), Rosario Minardi (Ulysses) e Gabriele Casablanca (Paulo, Diomede e Arcebispo Ruggieri). Aplausos também para os Malditos: Beatrice Caudullo, Michela Di Francesco, Maria Lardaloro, Marta Marino, Enrica Pandolfo, Lucio Rapisarda, Francesco Salpietro, Gloria Trischitta e Ariluna Verrazzo.

“A natureza – confessou Pandolfo – é sem dúvida uma protagonista do nosso espetáculo: ela rouba a cena todas as noites. Para nós, atuar aqui, neste lugar sugestivo, é sempre uma emoção extraordinária: o coaxar das rãs, o guincho dos morcegos, o chilrear dos pássaros, os sons da água e do vento que conseguem sublinhar as maravilhosas palavras do grande poeta. Eles sempre nos transmitem grandes emoções que esperamos transmitir ao nosso caloroso público nesta obra que encanta, conquista e faz pensar.”

Todas as noites, de quinta a domingo, portanto, a grande máquina de Inferno emprega cerca de cinquenta pessoas. E além dos atores e bailarinos, destacam-se também Fia Di Stefano pela coreografia, Riccardo Cappello pelos figurinos, Nello Toscano pela música e Alfredo Vaccalluzzo pelos efeitos especiais. Acrescente-se que Simone Trischitta cuida da organização geral, os produtores executivos são Luciano Catotti e Ninni Trischitta, os assistentes de direção são Agnese Failla e Lucia Rotondo, os designer de luz Davide La Colla e o designer de som Enzo Valenti.

Felipe Costa