Abdesalem Lassoued, o suposto agressor de Bruxelas que morreu após um tiroteio: desembarcou em Lampedusa em 2011

O suposto autor do massacre da noite passada em Bruxelas, Abdesalem Lassoued, teria morrido devido aos ferimentos sofridos durante o tiroteio desta manhã com as autoridades. Os jornais belgas Le Soir e La Libre escrevem-no. Segundo fontes policiais citadas pelo La Libre, duas outras pessoas são procuradas atualmente pela polícia.

«Ele estava no bar tomando café da manhã, como se nada tivesse acontecido». Um dos moradores do bairro de Schaerbeek, onde foi neutralizado esta manhã, disse à AGI. “Assim que vi o vídeo com o rosto dele, tive a sensação de que já o tinha conhecido por aqui”, disse um barbeiro da zona hoje isolada pela polícia. “Ontem à noite a polícia procurava-o aqui, já às 14 horas toda a zona estava cheia de agentes”, acrescentou outra testemunha em frente aos selos diante da praça Eugène Verboekhoven, a chamada ‘Gaiola do Urso’. Por volta da meia-noite, os policiais realizaram uma primeira busca na casa onde o tunisiano de 45 anos estava hospedado, mas não havia vestígios dele. “A situação já era difícil mas agora vai ficar ainda mais complicada para todos nós”, revela um dos moradores preocupados. “Não se pode começar a disparar sobre pessoas na rua porque lhe foi recusado asilo ou em nome do Islão”, acrescenta.

Ontem, a operação gritando ‘Allah akbar’, na qual ele matou dois torcedores suecos com uma Kalashnikov, e depois a fuga. O suposto assassino teve um pedido de asilo rejeitado em 2020.

O caso de Abdesalem Lassoued estava sob investigação pela polícia belga ainda antes do ataque terrorista da noite passada. O Ministro da Justiça, Vincent Van Quickenborne, explicou isto numa conferência de imprensa tarde da noite. O alegado agressor, no início deste ano, foi denunciado por um ocupante de um centro de asilo em Campine (não muito longe de Antuérpia) por ameaças através das redes sociais. O queixoso disse também à polícia que Abdesalem já tinha sido condenado por terrorismo na Tunísia. A polícia judiciária de Antuérpia entrou então em acção e, antes do ataque acontecer no centro de Bruxelas, tinha agendado uma reunião sobre o caso para esta terça-feira. Entretanto, as autoridades federais investigaram o passado do homem na Tunísia, descobrindo que a condenação estava ligada a crimes comuns e não ao terrorismo. Este facto, sublinhou Van Quickenborne, garantiu que o caso não fosse tratado como uma “ameaça concreta ou iminente”.

Da Bélgica: «Possíveis cúmplices»

“Não está excluído” que o suposto autor do ataque da noite passada em Bruxelas tenha agido em conjunto com cúmplices. A ministra do Interior belga, Annelies Verlinden, disse isso, conforme relatado pela mídia belga.

O passado na Itália

Abdesalem Lassoued esteve no passado em Itália, em Bolonha, por um período em 2016. Na capital emiliana, segundo consta, foi localizado e identificado pela polícia. Sabemos que chegou a Lampedusa em 2011 a bordo de um pequeno barco. Depois de uma estadia na Itália, foi para a Suécia, de onde parece ter sido expulso. Tendo regressado a Itália, em 2016 foi identificado em Bolonha por Digos como radicalizado: tinha manifestado o desejo de aderir à jihad e partir para lutar. O homem também foi monitorado pela inteligência. Mais tarde, ele foi para a Bélgica. Não se pode excluir que ontem tenha agredido dois suecos devido ao descontentamento que sentia em relação ao país de onde foi expulso.

Felipe Costa