A honra vai para Francesco Totti, símbolo eterno da AS Roma, mas o título de oitavo Rei de Roma não lhe pertence. Aliás, foi dado, junto com o apelido de Divino, a Paulo Roberto Falcão, que amanhã completa 70 anosmeio-campista brasileiro que desembarcou na capital italiana, para felicidade de sua mãe católica Azise, no verão de 1980, em chamas pelo primeiro escândalo de apostas em futebol.
O povo Giallorossi esperava por Zico, porque não era segredo que o presidente Dino Viola almejava o campeão do Flamengo, ídolo carioca, e em vez disso chegou esse jogador que naquele momento não emocionava a Roma, mas que havia arrastado para o terceiro título vezes na seleção de sua terra natal, a do ‘Brasileraò, o Internacional de Porto Alegre com o qual também conquistou cinco campeonatos regionais (no caso do Rio Grande do Sul) que no Brasil são quase igualmente importantes.
As emissoras de TV locais que fervilhavam nas ondas romanas na época ficaram sem palavras, cheias de videocassetes com as façanhas de Zico, mas sem imagens do que, em vez disso, havia sido a nova compra, que apareceu na via del Circo Massimo junto com o advogado Cristoforo Colombo, e nesse dia nasceu a figura do promotor. Mas foi o suficiente para ver Falcao em campo pela primeira vez com a camisa da Roma e os torcedores do ‘Magica’ imediatamente se apaixonaram por ele. Aquele jogador da camisa 5, aliás, sempre segurava a bola primeiro, não tinha medo dos desarmes e até os procurava fazendo também o ‘carrinho’, distanciava-se facilmente porque corria continuamente, nunca tentava jogadas dramáticas jogadas ou dribles, raramente fazia saltos atrás, mas quando o fazia era pura magia, como quando, com um feito desses, marcou Pruzzo.
Também por esta razão, e por ter transformado a ‘Rometta’ numa equipa campeã, uma vencida e outra ainda arrependida (o golo anulado frente ao Turone), a paixão dos ciganos por Falcao nunca diminuiu, e você pode ver isso a cada vez que ele volta convidado para algum evento. Divino foi até perdoado por não querer marcar o pênalti na final da Copa da Europa, que perdeu de pênalti, e em casa, contra o Liverpool, a lembrança mais dolorosa para todos os torcedores romanos. “Tive cólicas e nunca fui cobrador de pênaltis”, explicou o Divino, que teve um desempenho que não esteve à altura dos Reds. Houve também quem escrevesse que já pensava numa transferência para o Inter, que depois não se concretizou devido à intervenção do excelente jogador da Roma, Giulio Andreotti.
No Brasil, outro campeão que foi modelo de Falcão, Dino Sani, o descobriu e o lançou no time titular do Internacional, e imediatamente vieram as Olimpíadas, a de Munique 1972 com a Seleção. Depois, a antipatia mútua com o então técnico Cláudio Coutinho, um duro ex-capitão do Exército, custou-lhe a convocação para a Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Quatro anos depois, porém, integrou a seleção espanhola de 1982, vestiu a camisa 15 porque o número 5 era de Cerezo e o outro titular no início era Batista, mas logo assumiu a vaga daquele que era o titular. um ano depois ele iria jogar pela Lazio. Assim, Falcao arriscou tornar-se no “assassino” dos sonhos de glória da Itália de Bearzot, com aquele golo frente ao Sarrià que desencadeou a turbulência que levou à terceira obra-prima de Paolo Rossi.
O bicampeão ‘Boula de Orò de Porto Alegre também foi convocado para o México ’86, mas não estava apto devido a recorrentes problemas nos joelhos, e na partida decisiva contra a França Elzo, seu suposto herdeiro também no Internacional, foi o preferido a ele. Nessa altura o acordo com a Roma já tinha sido rescindido por “quebra contratual”, a Fiorentina de Pontello não quis oferecer-lhe emprego porque não confiava nele, no final o Divino foi para o San Paolo. Pouco importa, porque para os romanos do lado dos Giallorossi, Paulo Roberto Falcao continua a ser um grande amor, daqueles que, como diz uma das canções dedicadas à equipa, «faz sentir-te importante mesmo que não contes para nada ».