“Matar e fazer reféns”, aqui estão as instruções do Hamas

Os horrores de 7 de Outubro nos kibutzim fronteiriços perto da Faixa de Gaza foram planeados do zero. Não amadureceram no calor da operação, nem foram obra de lobos solitários, mas foram cuidadosamente planeados pelas Brigadas Ezzedin al-Kassam, o braço militar do Hamas. estou tentando documentos rotulados como “ultrassecretos” encontrados num veículo usado por comandos palestinianos e abandonado perto do Kibutz Reim, a curta distância da barreira. E transmitido pela televisão pública israelense Kan. Hoje a força aérea israelita eliminou o responsável por um dos massacres, o do Kibutz Nirim, em Gaza. Este é Billal al-Kedra, comandante na área de Khan Yunes (sul da Faixa) da ‘Nukhba’, a unidade de elite do Hamas. Na manhã do ataque, o chefe militar do Hamas Mohammed Deif, divulgou um pequeno vídeo no qual ilustrava os seus objectivos, alegando, entre outras coisas, que os seus milicianos tinham recebido ordens “para não matar mulheres e crianças”. Mas nas mesmas horas, a poucos quilómetros de distância, esses mesmos homens entregavam-se a massacres brutais, mesmo dos mais indefesos.

«A tarefa da sua unidade é conquistar o Kibutz Alumim com o objetivo de causar o maior número de vítimas possível», lê-se no documento da ala militar do Hamas enviado à emissora israelita. «Também terá de fazer reféns, numa fase posterior receberá outras ordens». Posteriormente, a mesma unidade foi encarregada de “vasculhar o kibutz” para garantir que não houvesse mais focos de resistência e “guardar o perímetro” para evitar um possível contra-ataque israelense. Assim, em Alumim, o Hamas esperava causar o maior número possível de vítimas civis e fazer o maior número possível de reféns. Para facilitar as operações – segundo o documento enviado à televisão Kan – os homens da linha da frente desenvolveram um código de transmissão com os seus superiores que permaneceram em Gaza nas salas de comando. Este código, segundo a estação televisiva, previa a preto e branco vários cenários, incluindo: o assassinato de reféns; o sequestro de reféns; a utilização de reféns como escudos humanos; o incêndio de casas, carros e campos.

No contexto desta orientação de carácter geral foram também acordados palavras de código a serem usadas durante as operações. ‘Preto’ significava a morte de reféns, ‘Vermelho’ significava a sua captura. ‘Ônibus’ era o uso de reféns como escudos humanos. ‘Veículo militar’ significava a libertação de reféns, ‘veículo civil’ indicava o número de pessoas capturadas. Há poucos dias, numa entrevista televisiva, o número 2 do Hamas, Sallah al-Aruri, declarou que os homens de Ezzedin al-Kassam se tinham concentrado na conquista de uma importante base militar e que os massacres de civis tinham sido conduzidos por massas de pessoas desorganizadas que chegaram de Gaza depois de verem as brechas abertas na barreira fronteiriça. Os documentos publicados por Kan indicam, em vez disso, que esses massacres foram planeados.

Felipe Costa