“Temos que fazer um acordo significativo ou coisas ruins acontecerão.” O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou isto, referindo-se às negociações indiretas com o Irão.
Donald Trump preside a primeira reunião do Conselho de Paz, o órgão anunciado pela primeira vez em Setembro de 2025 como parte da segunda fase do plano de 20 pontos para a paz em Gaza e apresentado para assinatura pelos países participantes em Davos.
Eis o que dispõe o estatuto:
* O ESTATUTO: É composto por um preâmbulo e 13 capítulos num total de 7 páginas. Criado inicialmente para implementar o plano de paz na Faixa, consagrado na Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, o Conselho de Paz expandiu as suas responsabilidades para outras crises. Na verdade, o seu estatuto não inclui referência a Gaza e contém críticas às Nações Unidas, que parece aspirar a substituir como o “órgão internacional mais ágil e eficaz para a construção da paz”.
* A PRESIDÊNCIA E SEUS PODERES: Trump preside o Conselho da Paz e sua liderança não está vinculada à presidência dos Estados Unidos. «Donald J. Trump será o primeiro presidente do Conselho da Paz», lemos no estatuto que não faz referência nem à sua posição nos EUA nem a um mandato fixo. O presidente do Conselho só poderá ser substituído após “demissão voluntária ou por incapacidade” estabelecida pelo “voto unânime do conselho”, especifica-se ainda. Ao presidente são concedidos amplos poderes, como a possibilidade de Trump resolver qualquer questão interpretativa ou controvérsia relativa à composição dos vários órgãos do Conselho de Paz. Ele tem “a autoridade final quanto ao significado, interpretação e aplicação” do estatuto, lemos no documento. As decisões do Conselho de Paz, além disso, “serão tomadas pela maioria dos Estados-membros presentes e eleitores, sujeitas à aprovação do presidente”, uma formulação que parece indicar a possibilidade de Trump impor o seu veto.
* OS MEMBROS: Trump enviou 50-60 países para se juntarem ao Conselho de Paz – incluindo a Rússia e o Vaticano – mas apenas cerca de vinte aderiram. Cada Estado membro cumprirá um mandato não superior a três anos, renovável a critério do presidente, com exceção daqueles que paguem um bilhão de dólares”, destaca o estatuto.
* CONSELHO EXECUTIVO E CONSELHO EXECUTIVO DE GAZA: O Conselho da Paz inclui um “Conselho Executivo” e o “Conselho Executivo de Gaza”. O conselho executivo inclui, entre outros, o secretário de Estado Marco Rubio, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Os três últimos também fazem parte do “Conselho Executivo de Gaza”, juntamente com representantes do Catar, Turquia, Egito e Marc Rowan, CEO da Apollo Management.
* FORÇA DE ESTABILIZAÇÃO: um dos elementos do plano de paz. Opera sob a égide do Conselho da Paz e os seus objectivos são manter a segurança e facilitar o progresso em Gaza.