Petróleo a caminho dos 100 dólares: quanto a gasolina e as contas poderão aumentar em Itália

A crise no Médio Oriente está a reescrever os preços globais da energia. O petróleo Brent registou uma valorização de quase 3%, ultrapassando os 83 dólares por barril, enquanto o US WTI valorizou 3,8% para atingir os 77,52 dólares, o nível mais elevado desde junho de 2025. Durante a semana, os preços do petróleo bruto registaram uma subida global de cerca de 15%.

Na sessão de 6 de março, o Brent atingiu os 91 dólares por barril, com um salto de 6,6% num único dia, estabelecendo o recorde do ano. Segundo analistas, se o bloqueio do Estreito de Ormuz continuar, o preço do petróleo poderá disparar para 100 dólares por barril.

O gargalo que assusta o mundo

O ponto crucial é o Estreito de Ormuz. Com cerca de 39 quilômetros de extensão, por ele passam mais de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo e mais de 30% do gás natural liquefeito. As reservas energéticas que passam pelo Estreito provêm de toda a região do Golfo, entre as mais fortes do mundo do ponto de vista da produção: cerca de 20 milhões de barris por dia.

O trânsito está quase totalmente paralisado. Há dezenas de navios parados em ambos os lados do estreito, o Qatar interrompeu voluntariamente as transferências de petróleo e GNL devido aos ataques e as principais companhias marítimas suspenderam as rotas. Este não é um encerramento formal decretado por Teerão, mas um bloqueio de facto também alimentado pela reacção do mercado de seguros: após os ataques israelo-americanos contra alvos iranianos, a cobertura contra o risco de guerra no Golfo Pérsico foi suspensa ou renegociada, enquanto os alugueres de petroleiros aumentaram para níveis sem precedentes.

Gasolina já em alta, contas em risco

A escalada faz-se sentir nos bolsos dos italianos desde o início de março. Os preços médios nacionais da gasolina e do gasóleo self-service rondam os 1,76 euros por litro, com picos mais elevados nas autoestradas e em diversas fábricas onde a gasolina já ultrapassou os 2 euros por litro.

Se o choque energético se prolongasse, os efeitos nas facturas poderiam ser graves: segundo estimativas dos analistas, os aumentos de preços poderiam atingir os 30% para a electricidade e os 37% para o gás. Para uma família típica significaria uma despesa adicional superior a 250 euros por ano.

O problema do gás e a questão do Catar para a Itália

Na frente do gás natural liquefeito, a situação é delicada, especialmente para a Itália. O Catar é há anos o principal fornecedor de GNL por navio para o nosso país, cobrindo mais de 40% dessa parcela em alguns anos. Em 2025, o quadro mudou parcialmente, com os Estados Unidos ultrapassando o Qatar para se tornarem o principal fornecedor de GNL. No entanto, um bloqueio prolongado das rotas provenientes do Golfo ainda afecta significativamente o abastecimento europeu, com o preço do gás no mercado TTF já a subir mais de 20% em apenas alguns dias.

O alarme sobre os fertilizantes e o risco alimentar

A crise não envolve apenas combustível e energia. As tensões no Médio Oriente também estão a fazer subir os preços dos fertilizantes, com possíveis repercussões na produção alimentar mundial. O Golfo Pérsico — liderado pelo Qatar e pelo Irão — representa uma das áreas mais relevantes do mundo para a produção de ureia derivada do gás natural, fertilizante essencial para a agricultura global. O preço da uréia subiu cerca de 30% nos últimos dias, atingindo a máxima de US$ 600 a tonelada. Um bloqueio prolongado do Estreito afectaria especialmente os países mais dependentes das importações de fertilizantes, como o Brasil e a Índia, com repercussões nos preços globais dos alimentos.

O que pode acontecer agora

Segundo os analistas, se o bloqueio de facto do Estreito persistir, o petróleo bruto poderá subir para 100-120 dólares por barril, com efeitos em cascata sobre os combustíveis, a electricidade e a inflação. Se a escalada militar diminuir, o tráfego poderá voltar gradualmente ao normal dentro de algumas semanas. Caso contrário, o mundo poderá descobrir rapidamente quão vulnerável é uma rede energética global que ainda depende de um estreito com algumas dezenas de quilómetros de largura.

Felipe Costa