Aleatoriedade? Causalidade? Telemelonidade? Não sabemos de outra forma definir a concomitância de três ficções de inspiração jurídica com o iminente referendo sobre a separação das carreiras dos magistrados. A primeira série está na Sky, «Avvocato Ligas», as outras duas foram transmitidas domingo e segunda-feira na Raiuno, uma sobre o advogado «Guerrieri – A regra do equilíbrio», a outra, agora praticamente histórica, «Imma Tataranni» que conta com um PM. Todo esse florescimento de advogados e juízes, neste momento histórico, especialmente na TV estatal, de fato, nos parece inadequado e, em alguns casos, até enganoso e, em todo caso, acreditamos que, mesmo de boa-fé, só pode criar confusão no telespectador/eleitor, também por algumas imprecisões e maximizações que caracterizam os personagens.
Na ficção sobre Imma Tataranni, por exemplo, raramente aparecem advogados, e o fato da exuberante promotora pública ter uma abordagem viva e nem sempre institucional tanto em suas roupas quanto em seu trabalho é uma característica que o público menos conhecedor atribui à simpatia da intérprete Vanessa Scalera, enquanto seus chefes são retratados como sujeitos quase sofrendo de problemas comportamentais, vide o novo promotor, interpretado por Rocco Papaleo, que transporta seus troféus de caça empalhados para seu escritório. As coisas não melhoram com o advogado Guerrieri, nascido da pena de Gianrico Carofiglio, escritor com experiência no judiciário. Os episódios da série mostram Alessandro Gassmann no papel de Guido Guerrieri, um conceituado advogado, com uma série de fragilidades íntimas que, no entanto, não o distraem de sua função defensiva, na qual tenta aliar preparação à empatia. O certo é que, independentemente dos casos resolvidos nos episódios individuais, aquele que arrastaremos por mais três segundas-feiras diz respeito a um juiz acusado de corrupção por outro seu perturbador colega. Deixamos então para os exegetas o fato de que, no primeiro episódio exibido, a relação que existia no passado entre o advogado e seu cliente tornou-se um caso de bullying sem matizes políticos. Finalmente no Sky Luca Argentero, já um luminar médico, é agora um príncipe do fórum perturbado. A mulher o abandona, o dono da firma o demite e ele fica praticamente sem clientes, mas não desanima, confiando na ousadia e na intuição investigativa. Também aqui caberia debater se sua representação homenageia a categoria.
Fica a dúvida inicial, sobre a oportunidade de veicular dramas jurídicos, que pelo enredo, imprecisões e características podem criar sugestões principalmente em um público que não tem referências culturais definidas e ainda pensa que a TV fala a verdade.