Etiópia-atletismo-Itália. Se este trio de nomes valesse a resposta a um quiz televisivo, a associação seria fácil: Abebe Bikila, o maratonista que em 1960 cruzou a linha de chegada dos Jogos Olímpicos de Roma aclamado pela multidão tanto pelo feito em si – não há tantos atletas na história que tenham conquistado uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos numa disciplina como a maratona – como por o ter conseguido… sem sapatos. Mas a Etiópia, além de ser o berço da humanidade, é também a nação que deu origem a alguns dos maiores campeões do atletismo. Uma delas está florescendo às margens do Crati.

Cosenza K42, excelência no mundo do esporte calabresa mas não só, desta vez também viu por muito tempo e garantiu um dos talentos mais prestigiados do cenário italiano Ademe Cuneo, de origem etíope, adotado por uma família italiana. Um golpe de 90 graus como só a empresa liderada pelo presidente Antonio Maria Igor Cosma pode fazer, com o apoio de um guia técnico muito precioso como o campeão italiano de cross Maurizio Leone e dirigentes do calibre de Antonio Mondera e Ciccio Misasi. Demorou muito pouco para Cuneo entrar no coração do Cosenza K42; ele pegou a caneta para escrever uma das páginas mais bonitas da história do clube e do atletismo nacional: a conquista do título da maratona italiana em Rimini contra adversários cavalheiros. Faltando 28 anos (apagará as velas no dia 24 de maio), o atleta etíope é o mais jovem vencedor na distância e leva o título à vitrine calabresa 77 anos depois (o último, em 1949, foi Gesualdo Penna, de Reggio). Um triunfo sensacional que premia o esforço de um grande atleta e de um clube que continua brilhando no cenário nacional. Etiópia-atletismo-Itália-Cosenza. Se hoje estivéssemos em um quiz de TV, essa resposta também seria fácil: Ademe Cuneo.