Pecado de Crotone, Pietropaolo: «A saúde dos cidadãos deve orientar todas as escolhas sobre o futuro do território»

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«A moção aprovada pelo Conselho Regional representa um sinal de forte atenção às questões de saúde e proteção dos cidadãos num território que há décadas convive com as consequências da poluição ambiental». É o que afirma Filippo Pietropaolo, presidente da Comissão de Orçamento, Planeamento Económico, Assuntos da União Europeia e Relações Exteriores do Conselho Regional da Calábria, comentando a aprovação da moção dedicada ao Sítio de Interesse Nacional Crotone-Cassano-Cerchiara.

Segundo Pietropaolo, a disposição traça uma estratégia que liga organicamente a remediação ambiental, a prevenção da saúde, o monitoramento epidemiológico e o planejamento do desenvolvimento territorial, identificando a proteção da saúde como o princípio orientador para as escolhas futuras em relação à área de Crotone.

Vigilância e rastreio de saúde gratuitos

A moção compromete o governo regional a estabelecer um protocolo de monitoramento de saúde ativo e gratuito para todos os moradores da área do SIN, proporcionando exames periódicos com atenção especial a crianças, gestantes, idosos e sujeitos frágeis.

As medidas previstas incluem ainda rastreios específicos para pesquisa de metais pesados ​​através de exames de sangue, urina e cabelo, destinados a verificar a possível presença no organismo de substâncias como arsénico, cádmio, mercúrio, crómio, níquel, chumbo, zinco e cobre. O objectivo é recolher dados científicos fiáveis ​​sobre o nível de exposição da população e planear quaisquer intervenções de saúde específicas.

«Uma forma de transformar a prevenção num direito concreto», sublinha Pietropaolo, recordando as indicações da comunidade científica que há anos apela ao acompanhamento sistemático das populações residentes nas áreas afetadas pelos fenómenos de contaminação ambiental.

Recuperação de terras e desenvolvimento

Na sua intervenção, o presidente da Comissão do Orçamento recorda ainda o constrangimento já previsto no dispositivo de autorização única regional de 2019 e confirmado pelo Decreto Ministerial n.º 2019/2019. 7 de 3 de março de 2020, segundo a qual os resíduos perigosos provenientes das operações de recuperação do SIN devem ser transferidos para fora da Calábria, para instalações autorizadas e adequadas para tratamento e eliminação.

A moção prevê ainda o reforço do registo regional de tumores para melhorar a monitorização de patologias oncológicas, identificar eventuais anomalias estatísticas e apoiar atividades de investigação científica sobre a relação entre a poluição ambiental e o aparecimento de doenças.

Entre os aspectos destacados por Pietropaolo está também a introdução do princípio segundo o qual cada novo projecto industrial ou de infra-estruturas deve ser previamente submetido a uma rigorosa avaliação de impacto na saúde e não pode ser examinado exclusivamente numa perspectiva económica ou de emprego.

«Pela primeira vez, a remediação ambiental, a prevenção sanitária, a monitorização epidemiológica e o planeamento do desenvolvimento territorial estão organicamente ligados. A mensagem que emerge é clara: a saúde dos cidadãos já não pode ser considerada uma variável secundária face às necessidades produtivas ou industriais”, conclui Pietropaolo, que também manifestou solidariedade à vereadora Denise Barbuto, autora da moção e entre os promotores da iniciativa aprovada pela assembleia regional.

Felipe Costa