Um grande sucesso ao vivo para comemorar os 25 anos de carreira de um artista extraordinário que também se torna a melhor resposta à estupidez das redes sociais e aos haters que o atacaram no início da turnê. Tiziano Ferro escolhe Messina e o estádio “Franco Scoglio” para encerrar a sua digressão, aquela que lhe permitiu voltar a abraçar o seu público depois de três anos difíceis. “Boa noite Messina, boa noite Sicília – diz ele no início – Este é o lugar certo para terminar a turnê. E fê-lo muito bem: polido e com aquele talento que o fez viajar pelas emoções vividas a partir de 2001, daquele Xdono que deu início a uma história de amor que continua até hoje. Um belo concerto – digamos logo – em que a alternância entre a balada e o uptempo não revelou momentos de cansaço do início ao fim e que contou as suas muitas almas musicais, desde o início do r’n’b ao pop up até à sonoridade mais urbana do mais recente projecto.
No centro de tudo estão as músicas, ou melhor, os sucessos de duas horas de música e pouco menos de 30 músicas para reconstituir juntos a carreira de Tiziano que começa com “Sono un grande”, faixa-título de seu último álbum. “Engolimos concreto antes de dormir e, com medo de ficar sozinhos, não dissemos uma palavra.” Ele conta sobre si mesmo e sua história, que se torna a história de todos. Continuamos na esteira de sua última produção com “Cuore quebrado” e “Fingo&spingo”, e depois nos voltamos para sua Ithaca com “I accept milagres”, muito sincero e emocionante, e com “La Differentia tra me e te”, até sua estreia na gravação com “L’olimpiade”. Algumas semanas depois a história de Max Pezzali se repete: é um verdadeiro karaokê sob o céu do Estreito. As séries com “O maior presente” e “Ti vai tirar uma foto”, seguidas de “Sere nere”, “Não sei explicar”, “Voltar”, “A última noite no mundo” e “O amor é uma coisa simples” é a confirmação de que concertos deste género, onde todos conhecem as músicas e as cantam, só podem torná-los grandes artistas: porque para fazer palcos é preciso escrever músicas que permanecem ao longo do tempo. Tiziano Ferro não é um artista que se defende da emoção e o público sabe disso. Ele canta apesar da dor e a sinceridade é quase desanimadora. Ida e volta com sorrisos e lágrimas.
No palco, três grandes megatelões que se estendem por 60 metros de comprimento e 12 metros de altura e uma plataforma de 24 metros de comprimento que permite a Tiziano ir abraçar seu público, um abraço que Ferro espera desde sua última turnê em 2023. Acompanhando o cantor e compositor nesta jornada está a banda liderada por Luca Scarpa (diretor musical do show) composta por Gary Novak na bateria, Tim Lefebvre no baixo, Corey Sanchez na guitarra, Davide Tagliapietra na guitarra, Gianluca Ballarin nos teclados e Alessandro Orefice no piano.
Chegam peças mais leves como “O sol existe para todos” e “Balla per me”, antes de redescobrir o clima tradicional com “Ed ero contentissimo”, passando por “Poderíamos voltar” e “Il consolation” reinterpretadas em tom acústico. Entre os novos arranjos propostos nesta turnê de 2026, estão “Stop! Forget” e “Incanto”. A descida começa com “E outside is dark” e “La fine”, e depois sai de cena ao ritmo de “E Raffaella è mia”, a homenagem única a Carrà, e depois o grand finale com “Per dirti ciao”, “Rosso Relativo” e “Lo Stadio”. A fechar com “XDono” é Tiziano Ferro no espelho, num concerto que reitera que “em caso de perigo só se salva quem sabe voar bem, então se excluires aviadores, falcões, nuvens, aviões, águias e anjos, permaneces”. E Ticiano continua sendo Ticiano. E foi “lindo, porque a alegria e a dor têm o mesmo gosto em você”.