Ciência, pesquisa e… mulheres: um tema a ser debatido: 4 mulheres cientistas comparadas na Serra San Bruno

A ideia básica é iluminar uma realidade que para a maioria está relegada às sombras. Na verdade, o mundo da ciência raramente é comparado ao conceito de inclusão. Pelo contrário, acontece que precisamente em ambientes onde se imaginaria uma prevalência de mentes “iluminadas”, a questão do género representa um problema grave. Para ser enfrentado de frente. Quatro mulheres cientistas de nível internacional tentarão, unidas não só pela amizade, mas também pelos obstáculos encontrados para se estabelecerem no campo científico. Não por falta de competência ou dedicação, mas apenas pelo facto de sermos mulheres num mundo predominantemente masculino e, muitas vezes, machista.

São estes os “Universos Invisíveis” que tentaremos explorar em profundidade num encontro público agendado para amanhã na Serra San Bruno, o coração “verde” das montanhas Vibo, no âmbito do evento cultural “Estate Brigante 2026”. É organizado pela associação Il Brigante, colectivo activo na área há mais de 30 anos que, entre outras coisas, deu origem a uma iniciativa comemorativa do centenário de nascimento do académico do sul de Itália Francesco Tassone, durante a qual a família do intelectual, fundador da revista «Quaderni calabresi» e da editora «Qualecultura», selou a doação ao Município da Serra de uma colecção de livros composta por quase 4500 volumes.
Falando em “ciência, investigação e mulheres na fronteira da física”, tentaremos associar a questão não resolvida da igualdade de género à divulgação científica. Os quatro convidados são Teresa Barillari (líder do grupo de pesquisa e vice-líder da equipe do Instituto Max Planck de Física em Garching), Valentina Cairo (física da equipe de pesquisa do Cern), Evelin Meoni (professora associada de Física Experimental de Interações e Aplicações Fundamentais no Departamento de Física da Universidade da Calábria e associada ao Instituto Nacional de Física Nuclear), Barbara Mele (diretora de pesquisa do Instituto Nacional de Física Nuclear da Universidade Sapienza de Roma). Em diálogo com Daria De Rafffele e Sergio Pelaia, eles falarão sobre o que fazem em suas respectivas áreas, refazendo os caminhos percorridos para chegar ao trabalho na física de partículas. Inclusive as dificuldades encontradas num mundo “dominado” pelos homens.

«Acredito que é fundamental que uma iniciativa deste tipo seja realizada numa cidade do interior do Sul de Itália – explicou Teresa Barillari, de quem nasceu a ideia do evento – porque o meu percurso humano e profissional também começou nestes locais. Gostaria, talvez, que algumas jovens que nos ouvem tomassem consciência das infinitas possibilidades que têm diante de si, mas também das ferramentas para enfrentar os obstáculos que possam ter de enfrentar. Sempre com a consciência de poder chegar a algum lugar apenas com as próprias forças.”
Familiarizado com iniciativas de divulgação científica que visam levar a física para fora dos contextos acadêmicos, há alguns anos Barillari doou “peças” preciosas do acelerador de partículas Cern ao colégio Serrese onde estudou – antes de chegar ao Unical e depois à equipe de Antonino Zichichi.

Felipe Costa