Viagens e conhecimento na sua referência mútua no centro de “Além dos Pilares de Hércules – Guia para a viagem de Chopin a Stevenson” (Savà Produzioni Creative), segunda-feira, 10 de agosto, às 21h, no Antigo Teatro de Taormina para a edição 2026 do Festival Internacional de Arte de Taormina. Um espetáculo que se desenvolve pelos caminhos sugeridos pelos poetas que fizeram da viagem um género literário, protagonizado pela atriz Valeria Solarino, uma das mais talentosas intérpretes italianas, e pela pianista Gloria Campaner, concertista de renome internacional. Palavras em diálogo com a música, portanto, alternando versos de autores como Baudelaire, Whitman, Stevenson (poeta das viagens por excelência), Cendrars e Dickinson com composições evocativas de músicos do calibre de Debussy, Field e Chopin, até fechar com Ulisses, o viajante por excelência, nos retratos de Homero e Dante.
“Homero é precisamente o arquétipo da literatura sobre viagens – sublinha Solarino –. Uma viagem muito aventureira e complexa que é também uma viagem da alma, porque todos os obstáculos que Ulisses deve superar representam uma viagem interior.
O tema da viagem é, portanto, abordado tanto do ponto de vista figurativo como concreto, num processo que remonta a Dante. Seu Ulisses tem sede de conhecimento, não se contenta com o retorno e volta ao mar, indo além dos Pilares de Hércules “para seguir a virtude e o conhecimento”. “Seus versos fecham um círculo – conclui a atriz -. Adoro recitar autores com música porque a música sugere atmosferas”. “A música e o texto poético encontram semelhança na potência dos sons e dos versos e na capacidade da poesia de se transformar quase num instrumento musical – acrescenta Campaner -. Passamos de Chopin, Berio e Richter a Glass, Debussy e Mompou, tocando no minimalismo e no romantismo, com peças que resistem à beleza de um poema, mais curto e estreito que a prosa. porque, como na poesia, não havia necessidade de muito desenvolvimento musical.”
As viagens ainda podem ser importantes para nós, contemporâneos, que temos o mundo a apenas um clique de distância? A jornada que fazemos com um clique não é uma jornada. – declara Solarino -. Podemos nos iludir pensando que estamos chegando, mas ainda estamos em nosso quarto diante de um computador. Como disse Stevenson, viajar é precisamente a experiência do mesmo, físico e espiritual ao mesmo tempo. O perigo da nossa contemporaneidade é precisamente este: enganar-nos de que representar algo vale mais do que vivê-lo”. Viajar é ter a coragem de ir além de uma fronteira ou, em qualquer caso, acreditar na existência de um além – acrescenta Campaner – de um além que nos tira da zona de conforto. É deixar ir e deixar ir algo para se abrir para outra coisa, ouvir, não parar de imaginar e sonhar. Mesmo o simples gesto de viajar com a mente envolve abrir os olhos para a experiência, porque uma verdadeira narrativa de de si mesmo ou do mundo acontece através do que pode verdadeiramente ser contado”. Podemos, portanto, também aprender algo com a própria ideia de viagem? “Claro. A viagem pode ser feita parado ou em movimento físico – conclui Campaner -; o importante é que é sempre a nossa capacidade de imaginar que não para de viajar”.