“Anuncio que qualquer país que permita que as suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou agências governamentais forneçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irão enfrentará ele próprio consequências económicas tremendas”, disse Trump. O presidente dos EUA não forneceu detalhes sobre os tipos de sanções a que os países envolvidos estariam sujeitos. Ele também não mencionou especificamente nenhum país em sua declaração nas redes sociais. Os seus comentários foram feitos quase uma semana depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ter dito que os Estados Unidos iriam impor um isolamento económico sem precedentes ao país. “Será uma combinação de isolamento económico como o mundo nunca viu”, disse Bessent à rede de televisão conservadora Newsmax na quinta-feira passada. O Irão assumiu uma posição desafiadora após meses de resistência às operações militares dos EUA, que não conseguiram pôr fim à guerra de forma decisiva.
Após os ataques israelo-americanos contra o Irão, em 28 de Fevereiro, Teerão respondeu com bombardeamentos contra países vizinhos aliados de Washington e bloqueou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de hidrocarbonetos. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos. Apesar da recente diminuição das hostilidades, as tensões na região continuam elevadas.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram esta terça-feira o Irão de lançar dois mísseis balísticos, que caíram no mar e tinham como alvo o tráfego marítimo. O Irã negou o lançamento de mísseis no Golfo e rejeitou “categoricamente” as acusações. Imediatamente a seguir, a diplomacia dos Emirados anunciou a suspensão, até novo aviso, de “trocas comerciais” e “transacções financeiras” com o Irão. Teerão já tinha ameaçado na manhã de quarta-feira os países do Golfo que prestam qualquer tipo de apoio ao exército norte-americano. “Qualquer assistência ou facilitação prestada ao exército agressor dos EUA equivale à participação em operações militares americanas”, declarou o general Ali Abdollahi, chefe das Forças Armadas, num comunicado divulgado pela agência Mehr. Os dois países, separados pelo Estreito de Ormuz, partilham profundos laços culturais e históricos.
Na verdade, até ao início do conflito, os Emirados Árabes Unidos eram um importante parceiro comercial do Irão, sujeito a sanções dos EUA. Trump disse na terça-feira que “não há diálogo e não há conversações em curso, ou mesmo planeadas, com a República Islâmica do Irão”. Segundo uma fonte norte-americana contactada pela AFP, estas trocas foram suspensas e Trump pediu aos seus assessores que não retomem o diálogo até que Teerão se aproxime da posição dos EUA. Até agora, as autoridades iranianas deram muito poucos sinais nesse sentido. O principal negociador do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o Estreito não seria reaberto até que Washington cumprisse os seus compromissos ao abrigo do memorando de entendimento assinado em junho. O texto, que previa uma trégua de 60 dias com vista a um acordo duradouro, desmoronou-se com o reinício das hostilidades em Julho. Ghalibaf reiterou na quarta-feira, durante uma visita ao Iraque, a importância de fortalecer a “nova ordem” regional e denunciou a interferência estrangeira.
Entretanto, o Irão e Omã, cujas costas dão para o Estreito de Ormuz, discutem há várias semanas a gestão futura desta passagem estratégica. O Irão, que ataca navios que tentam atravessar o Estreito sem pedir autorização, quer impor taxas de transporte pelos serviços prestados aos navios em trânsito, uma medida que é fortemente contestada pelos Estados Unidos e por alguns países da região.