Quando a «fuga do inferno» pode acontecer graças à leitura: a redenção literária do prisioneiro perpétuo Gianfranco Ruà

A redenção literária do prisioneiro perpétuo Gianfranco Ruà contada em «Escapar do inferno. A redenção literária de Gianfranco Ruà”, o novo livro de Arcangelo Badolati, escritor e jornalista Gazeta do Sul. Uma história de redenção que aconteceu atrás das grades da cela de uma prisão emiliana. Dentro dessas quatro paredes o criminoso Bruzio escolheu conhecer os autores que marcaram a história da humanidade.
A partir das leituras de Epicteto, Ludovico Ariosto, Torquato Tasso, John Milton, Baruch Spinoza, Johann Wolfgang von Goethe, Arthur Schopenhauer, Marcel Proust, Franz Kafka, Jack Mezirow e Daniel Goleman, iniciou-se um percurso interno e cultural que conduziu o antigo protagonista da mala bruzia à licenciatura em Ciências da Educação e aos processos de formação obtidos na Universidade de Parma. Um “pedaço de papel” altamente simbólico, testemunha da redenção de um homem que, tendo abordado desde cedo negócios duvidosos, perdeu-se nas profundezas do crime, para depois atingir um clímax metamórfico. Com a discussão de uma tese intitulada «Em louvor ao texto: dar sentido ao tempo através dos livros e da leitura», Ruà concluiu assim a sua reabilitação civil e cultural com a satisfação adicional de um percurso concluído com nota máxima. Uma jornada de vida contada de forma apaixonada pela pena de Badolati.
O texto, publicado por Pellegriniconta o poder da cultura e sua capacidade de transformar a alma humana. Transformando até a consciência de um homem responsável por crimes graves, mas capaz de redescobrir o melhor de si mesmo através da literatura e da poesia. Uma nova consciência, uma emotividade diferente, um “olhar” diferente sobre as coisas adquirido graças ao impulso do conhecimento. Um renascimento que demonstra como nunca é tarde para seguir um caminho diferente. Porque, como escreveu o jurista Stefano Rodotà, ilustre concidadão de Ruà, num editorial do La Repubblica, “o passado não pode ser transformado numa sentença que exclui qualquer redenção”.

Felipe Costa