Inferno 2026, sentindo-se dentro de um poema narrado nas Gargantas de Alcântara

“Você realmente se sente dentro de um poema, neste caso o Divina Comédia: e, além dos atores, para elencoa própria natureza é a protagonista”.

Assim Carmen Greco, jornalista do jornal Sicíliadescreveu a emoção de participar doInferno de Dante, o mais visto entre os espetáculos ao ar livre propostos nos últimos anos na Sicília, acrescentando: “É como se você estivesse nas margens do Aqueronte: você encontra Caronte, Farinata degli Uberti, Ciacco, Virgílio, Dante e uma Beatriz apenas sonhada: não creio que as mesmas sugestões pudessem se desenvolver em outro lugar que não as Gargantas de Alcântara”.

“Então – concluiu -, no final, parece que vamos sair para ver novamente aquelas estrelas, que na verdade já admiramos daqui. maisneste verão escaldante, é o fato de ser agradável e fresco nas margens do rio.”

A edição de 2026 doInfernoproduzido por Buongiorno Sicilia com dramaturgia e direção de Giovanni Anfuso, está chegando ao fim – a última apresentação está marcada para o próximo domingo, 6 de setembro, às 22h – acompanhada por uma genuína ovação. Também daqueles que, como o fotógrafo e documentarista de Palermo Giuseppe Mazzola, quiseram, como nos últimos anos, homenagear este Inferno com as fotos que propomos.

“Aqui a Natureza não é cenografia, mas faz parte da obra – disse ele – e quem brinca na Garganta deixa de ser simplesmente ator e passa a ser outra coisa: personagem, símbolo, memória, dor, culpa, esperança. Fotografando-os, notei algo extraordinário: a luz consegue desenhar uma geometria real, não só de emoções, mas também de condições humanas.

Entre os protagonistas da obra, Liliana Randi falou sobre o seu papel, que desempenha desde a primeira apresentação: “uma turista que, visitando as Gargantas, se encontra emInferno e, iludindo-se de que também é Beatriz, faz o público reviver este encontro mítico”.

“Sinto-me como Beatrice – concluiu – naquele momento apaixonada por Dante, que o ajuda a sair de uma situação difícil. impassede tragédia quando ele se encontra na floresta escura. E a turista se encontra Beatriz, quase uma santa, no Céu.”

Para Luigi Nicotra, que interpreta Dante, “Beatrice sempre foi a mulher desejada por um amor de infância”.

“Eles se conhecem – explica –: aos nove anos e nunca estarão juntos: ela se casará com outro homem e, com apenas 24 anos, morrerá. Aqui, Dante escreve A Divina Comédia para poder reencontrar Beatriz, junto com Virgílio, que ajuda o Papa na empreitada”.

Mesmo nestas últimas atuações, muitos aplausos para os atores. Além dos já mencionados, Davide Sbrogiò (Conde Ugolino), Salvo Piro (Virgílio), Giovanna Mangiù (Francesca), Ivan Giambirtone (Ulysses), Luigi Nicotra (Dante), William Caruso (Farinata), Federico Fiorenza (Charon), Davide Pandolfo (Ciacco) e Peter Passalacqua (Paolo Malatesta, Diomede e Arcebispo Ruggeri). Aplausos calorosos também para o coro infernal, formado por Chiara Di Giovanni, Giulia De Marzi, Alessia Linguaglossa, Marta Marino, Gaia Palmeri, Lucio Rapisarda, Francesco Rotatore, Emiliano Sgroi e Federica Zuccarello. E Gloria Trischitta, na terceira edição deste espetáculo, que sublinhou o maior impacto junto do público das coreografias deste ano.

“Brincar de Malditos – disse ela – correr entre as pedras e a água do rio não é tão fácil quanto estar no palco: cada dia é um desafio, traz sofrimento. Mas isso também é teatro: a necessidade de expor as feridas humanas.

Em suma, “Um espectáculo fantástico, tanto que me deu vontade de rever o poema”, como sublinhou Franco Sciacca, actor siciliano que veio de Roma para ver Inferno e falou de “Uma companhia de muito bons intérpretes, num local maravilhoso, perfeitamente aproveitado pelo realizador Giovanni Anfuso”.

“Não me distraí um só momento – finalizou Sciacca, também conhecido por suas participações em seriados de TV como O jovem Montalbano E Vanina -, porque era tão cheio de efeitos, de movimentos coreográficos… Enfim, um espetáculo que faz exclamar: Bem, eu vi uma coisa linda!”

Como já foi destacado diversas vezes, uma das novidades mais apreciadas desta edição foram as coreografias de Fia Distefano. Agradecimentos dos espectadores, então, aos figurinos de Riccardo Cappello, aos elementos cênicos de Silver Ruggeri e às luzes de Davide La Colla. Por fim, merecem destaque os assistentes de direção: Micaela De Grandi, Valentina Ferrante, Davide Pandolfo e Lucia Rotondo.

Felipe Costa