A balsa afundou no norte de Chipre, pelo menos 8 mortos: capitão e tripulação presos

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Um lado do casco ainda está na superfície, enquanto o outro já está inevitavelmente submerso. E várias pessoas, equipadas com coletes salva-vidas, tentam desesperadamente evitar acabar na água. São dramáticos os vídeos amadores que captaram alguns momentos do naufrágio do “Filo Jet”, um ferry do tipo catamarã, ocorrido ao largo da costa do Norte de Chipre: um acidente em que morreram pelo menos 8 pessoas, enquanto outras 18 continuam desaparecidas, segundo as autoridades locais.

Enquanto a busca pelos desaparecidos continua e se tentam reconstruir as causas exatas do ocorrido, há 242 sobreviventes. Dezenas deles foram levados para hospitais da ilha. Entretanto, o capitão e outros oito tripulantes foram detidos sob suspeita de possível negligência, informou a imprensa cipriota. “Todos os aspectos deste incidente serão investigados”, prometeu o primeiro-ministro da autoproclamada República Turca de Chipre, Unal Ustel. Segundo a Farnesina, neste momento não há italianos envolvidos.

O curso e o alarme a quatro milhas da costa

O ferry – um navio de alta velocidade com bandeira turca, com 40 metros de comprimento e 10 metros de largura – partiu por volta do meio-dia, hora local, de Kyrenia/Girne em direção a Mersin Taşucu, uma cidade na província turca de Mersin. Mas a cerca de 4 milhas náuticas da costa, o catamarã começou a entrar na água, explicou o ministro dos Transportes do Norte de Chipre, Erhan Arikli, à mídia turca.

Segundo CNN Turcoquando o ferry começava a afundar, foram feitas chamadas de emergência e várias unidades de resgate foram rapidamente mobilizadas para o local. Barcos particulares que estavam na área também correram para o local do acidente. As equipes de resgate começaram a cuidar dos passageiros do náufrago, alguns dos quais foram içados a bordo de um helicóptero de resgate por meio de uma corda. As forças turcas também estiveram entre as forças mobilizadas. “Lançamos extensas operações de busca e salvamento em colaboração com as autoridades da República Turca do Norte de Chipre”, anunciou o Presidente Recep Tayyip Erdogan. No final, o catamarã “afundou completamente”, terminando a 514 metros de profundidade, especificou Arikli.

As duas ondas e a história de um sobrevivente

Ainda não há versões conclusivas sobre os motivos do desastre. Porém, as primeiras hipóteses começam a circular. O primeiro-ministro do Norte de Chipre falou de pelo menos duas ondas fortes que atingiram o ferry após a sua partida, acrescentando que após o impacto da segunda o casco começou a ficar com água. Além disso, explicou que o «Filo Jet» deveria ter zarpado já no sábado, mas nessa altura não tinha havido luz verde devido às condições meteorológicas adversas.

Aspecto diferente destacado por um dos sobreviventes do acidente, um passageiro não identificado entrevistado pela TV local uma vez resgatado. «A proa explodiu quando o navio tentou reverter o curso. E as janelas laterais quebraram. A balsa entrou na água”, disse ele, visivelmente abalado. O homem acrescentou outro detalhe perturbador, alegando que o capitão da balsa teria “se jogado primeiro” ao mar para se salvar, omitindo “qualquer planejamento” para o gerenciamento da emergência. Costa Concórdiaquando o capitão Francesco Schettino abandonou o navio – que estava afundando após a colisão com as rochas da Ilha Giglio – enquanto a evacuação dos passageiros ainda estava em andamento. E o que parece poder reforçar a suspeita de possível negligência levantada pelas autoridades.

A nota da empresa

Por seu lado, a empresa a que pertence o navio, Filo Denizcilik, disse estar “profundamente entristecida pelo trágico acidente”. Em comunicado, o grupo afirmou que foram mobilizados recursos para a coordenação com as equipas de busca e salvamento e que foi activada uma linha telefónica dedicada para prestar informações aos familiares dos passageiros.

Felipe Costa