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Um olhar delicado e consciente para narrar uma das síndromes mais difundidas do nosso tempo, e talvez torná-la menos dolorosa ao longo da história. A ansiedade e a relação com as próprias fragilidades estão no centro de «Do meu diário de bordo ao seu», média-metragem dirigido pela diretora Marlis Andrea De Angelis das Marcas e Gabriele Celona de Messina, também protagonista e roteirista. A prévia ontem no Apollo Multiplex, na presença dos diretores e elenco.
Produzido pela Art One Company com o patrocínio da Fundação Messina para a Cultura, o filme destaca um estado psicológico que pode bloquear o indivíduo por dentro, comprometendo sua capacidade de viver plenamente ou de realizar as ações mais simples.

«A ideia do filme nasceu da relação com um desconforto vivido em primeira mão – revela Celona – sempre acreditei que uma das principais saídas era expressar toda a dor interna. Daí o projeto de entrevistar, criar, aprofundar o tema e conversar sobre ele com quem de fato vivenciou essa condição, tecendo um fio narrativo que pudesse contar a história dos ataques de pânico e da ansiedade através de uma história emblemática da história de muitos.”
Um elemento fundamental nesse sentido é o uso da narração para entrar na mente do protagonista e em seu estado emocional. «A narração costuma ser um elemento que pode ser didático, mas neste caso foi uma escolha deliberada para dar voz à interioridade da personagem, e lidar com a ansiedade não só do ponto de vista visual, com as imagens dos ataques de pânico contínuos, mas entrando no círculo infernal da experiência específica. Na cena de abertura, por exemplo, onde introduzimos o tema, ou na do telefonema ao falecido pai, para significar a vivência de muitos meninos órfãos de uma importante figura de referência e apoio, necessária em tal condição”.

Ajuda que na história virá da figura da psicóloga (Nicole Pyrathon), de um encontro no ponto de ônibus com uma senhora idosa (Pina Battiato) e até das notificações no celular que acompanham a vida da personagem, demonstrando que ela está continuamente presente para os amigos. Uma mensagem importante do filme é confiada à possibilidade de pedir ajuda, à necessidade de o fazer.
«Na história, a figura do psicólogo representa não só o profissional que exerce a sua função, mas uma pessoa capaz de ver quem está à sua frente, aceitar a sua fragilidade, a sua história, os seus anos e muito mais». Todos elementos que trazem um vislumbre de esperança à história, passando a mensagem de que a ansiedade pode bloquear, mas não precisa necessariamente definir quem somos.
Entre os integrantes do elenco técnico estão a pintora de Messina Olga Abate, que criou um importante mural dentro da trama do filme; o assistente de direção Gabriele Alboretti, o diretor de fotografia romano Carlo Alberto Santucci e o artista de rua da Apúlia Libero Manzella, autor do projeto Flowrphan, que criou um muro de 26 metros colocado na Contrada Scoppo. Outras fotos aconteceram no Cristo Re, com vista para a Piazza Duomo e a Madonnina del Porto. Também fazem parte do elenco artístico Doriana Garufi e Manuel Di Nicola.