Messina, o paradoxo dos ônibus para estudantes: grátis se mudar de bairro, pago se ficar na mesma área

Nas últimas semanas, o tema acabou no centro da resolução nº. 21 aprovado no passado dia 2 de setembro de 2026 pela Câmara do IV Município “Centro Storico”, sobretudo porque o resultado da legislação representa um paradoxo lógico-territorial. Os bairros de Messina são grandes e variados. Pode acontecer que um aluno residente na periferia de um município tenha de percorrer quilómetros todas as manhãs para chegar à sua escola no mesmo território, mas seja excluído do acesso gratuito porque a sua casa e a instituição estão formalmente “no mesmo distrito”. Por outro lado, nas zonas fronteiriças, dois jovens que vivem no mesmo patamar ou em lados opostos da mesma rua podem sofrer um tratamento totalmente oposto: um viaja de graça porque atravessa a fronteira administrativa do bairro, o outro paga o bilhete de temporada completo. Perante estas inconsistências, no dia 29 de julho de 2026 o presidente do Quarto Distrito, Renato Coletta, enviou uma nota oficial ao Diretor do Departamento competente e à alta direção do ATM Spa para solicitar uma tabela de verificação e eliminar um critério claramente discriminatório. A resposta dos escritórios do Palazzo Zanca ou da transportadora? Nenhum.

O silêncio da administração durou mais de um mês, ignorando os relatórios enviados do território.

Assim, os vereadores do IV Município foram a campo e votaram formalmente o ato. O pedido aprovado no Conselho – com 7 votos a favor (vereadores Bicchieri, Caliri, Carlo, Fabio, Lauro, Manganaro e Melita) e a abstenção da presidente Coletta – visa varrer a barreira da coincidência de residência e escola.

O objectivo é garantir transportes públicos gratuitos a todos os alunos do ensino secundário inferior e superior, independentemente da grelha geográfica dos distritos.

Uma medida que, além de aliviar os orçamentos familiares face ao novo ano letivo, representaria um incentivo concreto à redução do tráfego automóvel e à promoção da mobilidade sustentável entre os mais jovens.

Resta saber se, depois da resolução transmitida oficialmente aos dirigentes da Câmara Municipal e ATM Spa, chegam factos ou um novo silêncio por parte da administração.

Felipe Costa