UE, ainda negociações sobre o Pacto de Estabilidade. Gentiloni: “O acordo está próximo, acordo em poucos dias”

Há um impasse no jantar do Ecofin sobre a reforma do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Os trabalhos foram retomados – à meia-noite – após uma pausa de mais de duas horas para novos aperfeiçoamentos ao texto de compromisso apresentado pela presidência espanhola do Conselho da UE. A primeira versão parece desagradar a todos. O acordo – dizem os presentes na sala – parecia tudo menos próximo. É uma subida, sem trazer percentagens que poderiam ser muito inferiores às expressas nas chegadas ao Eurogrupo. Nenhum país disse estar abertamente satisfeito com o texto apresentado (mas por outro lado, o antigo vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans, disse que um compromisso é bom quando insatisfaz a todos porque todos têm de abdicar de alguma coisa). Trata-se de números, mas também de abordagens.

O Ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti – tanto quanto sabemos – reiterou a sua posição: «Não se pode dizer que a Itália não concorda com o novo Pacto. A Itália é a favor de um retorno da dívida com um ajustamento sério e sustentável. Rigoroso mas sustentável.” No fundo, para o dono do MEF, “as regras fiscais devem ser coerentes com os objetivos políticos que nos propusemos nos nossos países e na Europa”. Especificamente, o último projecto exige um corte médio mínimo da dívida de 1% ao ano para países com um rácio dívida/PIB superior a 90% do PIB (0,5% para aqueles com dívida superior a 60%) e estabelece o objectivo de reduzir o défice para 1,5. % como margem de segurança.

O ministro francês, Bruno Le Maire, pede em particular que, no caso dos países que se comprometam a realizar uma série de investimentos e reformas, o ajustamento estrutural é reduzido de 0,5% para 0,3% do PIB, mas o seu homólogo alemão, Christian Lindner, não vê a opção com bons olhos. “Os défices excessivos devem ter um tratamento diferenciado, é preciso mais ambição para combater os défices excessivos”; afirmou à sua chegada à reunião, reconhecendo o ponto de divergência com o seu colega francês apesar de Paris e Berlim terem concordado em 90% do texto. Os Estados-Membros também continuam divididos quanto ao indicador pelo qual o ajustamento do défice será medido: atualmente é considerado o défice estrutural, mas a Itália (entre outros) solicita que seja utilizado o défice estrutural primário, o que exclui o pagamento de juros da dívida.

Giorgetti, durante o jantar do Ecofin para discussão do Pacto de Estabilidade, reiterou alguns dos conceitos já expressos nos últimos dias, a começar pelo que disse no seu discurso na comissão orçamental da Câmara e do Senado, na terça-feira. Salientou, por exemplo, que as regras fiscais devem ser coerentes com os objetivos políticos dos países e mais genericamente da Europa, também previstos pelo Pnrr, com a transição verde e digital e com a defesa. Segundo o ministro, a redução da dívida deve ser gradual, realista e sustentável. Giorgetti agradeceu então as palavras da França, que sublinharam a importância de haver flexibilidade nas regras. Uma semelhança com a posição da Itália surgiu na intervenção da Finlândia, com a Ministra Riikka Purra, que se manifestou a favor de uma extensão do reembolso da dívida de 4 para 7 anos e a respeito da ideia de que cada país deve assumir novos compromissos após o PNRR expira em 2027.

“Acho que tivemos uma discussão positiva, com progressos substanciais. O esforço foi para encontrar o equilíbrio certo entre crescimento e estabilidade. Obviamente com salvaguardas e a necessidade de encontrar espaço para investimento e crescimento. Acho que fizemos muitos progressos, mas o a missão ainda não foi cumprida. Por isso, é necessário mais trabalho nos próximos dias, mas estou bastante optimista de que um acordo possa ser alcançado nos próximos dias” declarou o Comissário Europeu da Economia, Paulo Gentilonià sua chegada à reunião do Ecofin.

As consultas durante a noite foram interrompidas “porque eram 3 da manhã e também eram necessários pareceres jurídicos” necessários para um documento legislativo desta envergadura.

“Podemos estar suficientemente confiantes de que haverá um acordo até ao final do ano”, sublinhou. às regras orçamentais europeias, em particular graças à Presidência espanhola. Espera-se que um acordo no Conselho seja alcançado até ao final do ano. Este acordo estabelecerá regras coerentes e reconhecerá a importância do investimento e da reforma. Vamos continuar!” disse o ministro das Finanças francês Bruno Le Maire depois do jantar Ecofin que terminou esta noite, pouco antes das 16H00, sobre a reforma do Pacto de Estabilidade.

“Esperamos concluir” a reforma do Pacto de Estabilidade “nos próximos dias e, se necessário, convocaremos também uma reunião extraordinária do Ecofin para que possamos concluir um acordo político até ao final do ano”, afirmou o Vice-primeiro-ministro espanhol Nádia Calvinoà presidência rotativa da UE que chega à reunião do Ecofin em Bruxelas.

Felipe Costa