Autonomia diferenciada, Casada (Pd): o risco está aumentando o fosso da Calábria com outras regiões

“Com a aprovação do projecto de lei Calderoli no Senado, ocorrida no passado dia 23 de Janeiro, o processo de implementação do projecto de autonomia diferenciada liderado pela Liga do Norte atingiu um ponto de viragem. regiões estatutárias maior autonomia legislativa em até vinte matérias atualmente sob competência legislativa concorrente (ou seja, competência do Estado central e das regiões), recebendo o sim de 110 senadores favoráveis, sofre no seu processo de aprovação definitiva uma forte aceleração, o que suscita fortes dúvidas e preocupações de muitos quadrantes. O plano de autonomia diferenciada, tal como foi concebido, propõe uma redistribuição significativa de competências e recursos em diferentes sectores, alguns dos quais com importância estratégica para o desenvolvimento dos territórios. negociar com o Estado a atribuição de novos poderes e prerrogativas e paralelamente às competências poderão também reter a receita fiscal, que já não seria redistribuída a nível nacional com base nas necessidades colectivas, mas sim a nível regional”. Ele afirmou isso em uma nota: FrancaCasadochefe dos Transportes do secretariado regional do Partido Democrata, sobre autonomia diferenciada e transportes.

“O que está por detrás deste projecto que foi saudado como uma grande vitória pelo centro-direita, na realidade – segundo Sposato – é o elevado risco de que aumente a desigualdade existente entre os territórios e, desta forma, um sistema que em vez de diminuí-las aumentaria as desigualdades entre as regiões do Norte e as regiões do Sul. E o risco é inerente à própria formulação do projeto de lei que subordina a implementação da autonomia diferenciada à prévia definição e cristalização da chamada LEP, ou níveis essenciais de benefícios previstos na Constituição e relativos aos direitos civis e sociais que devem ser garantidos a todos os cidadãos, de forma igualitária em todo o território. Mas as LEP não podem ser seguradas da noite para o dia, porque para assegurá-las é necessário eliminar as lacunas que existem actualmente nos serviços oferecidos aos cidadãos de norte a sul, e são necessários recursos para eliminar essas disparidades. Mas sem recursos e, portanto, sem a certeza de uma convergência dos níveis de serviço, maiores poderes para as autoridades locais correm o risco de se traduzir no perigo iminente de aumentar as disparidades sociais e territoriais, favorecendo as regiões do Norte, mais ricas e capazes de garantir a uniformidade dos serviços, em detrimento das regiões do Sul, que são mais pobres e têm serviços irregulares garantidos. A falta de um quadro uniforme que estabeleça a priori quais devem ser os serviços essenciais corre o risco de levar a um enfraquecimento da coesão e da unidade. Com uma representação do país que verá as suas desigualdades agravarem-se, com regiões que poderão beneficiar de serviços uniformes e de elevada qualidade, e regiões forçadas a sofrer uma redução drástica dos serviços, mesmo naqueles contextos onde garanti-los ao mínimo já é uma fortuna”.

Segundo Franca Sposato “o projecto de descentralização e descentralização do poder de decisão suscita muitas dúvidas pelas consequências que dele podem advir, se não cuidarmos primeiro de nivelar os desempenhos e os serviços. é inevitável que quem tem mais continue a ter mais e quem tem menos continue a ter menos. A descentralização de questões importantes como as grandes infra-estruturas, os portos e o sistema de transportes, por exemplo, demonstra que a intenção do governo é minar a unidade nacional , potenciando as desigualdades em benefício dos territórios mais ricos já dotados de infra-estruturas e redes de serviços de excelência. Pense no planeamento infra-estrutural e na gestão das redes de transportes a nível regional e não mais nacional, com a passagem interligada de infra-estruturas logísticas mas também de recursos e de pessoal, significa aumentar o risco de fragmentação, significa arriscar favorecer uma fragmentação dos transportes entre regiões, significa criar uma vulnerabilidade nos investimentos, muitos dos quais baseados em fundos de investimento nacionais que terão necessariamente de ser redistribuídos. E o risco é que as regiões do sul, e a Calábria em particular, continuem a ser privadas de infra-estruturas essenciais para garantir o direito à mobilidade dos seus cidadãos, como o comboio de alta velocidade que corre o risco de nem chegar à Praia, o que significa excluir completamente a nossa região. É o que resulta do relatório final do debate público sobre o lote do novo comboio de alta velocidade Romagnano – Praia que, quando questionado sobre quando entrará em funcionamento o lote até à Praia, recebe a resposta dos técnicos da RFI “até à data”. não sabemos. Não há fundos para chegar à Praia.” O insulto seria adicionado ao dano. Da série iludida e desiludida. E assim continuamos a zombar dos calabreses e de todos os cidadãos do sul obrigados a sofrer as consequências de uma distribuição de recursos que infelizmente olha para o norte e não para o sul. E aí falam em equalização de serviços. Para conseguir esta equalização – concluiu Franca Sposato – é preciso mais, e os calabreses sabem disso e vivenciam-no em primeira mão todos os dias. Também deveriam saber disto os parlamentares calabreses de centro-direita que, em nome do servilismo partidário, viraram as costas às suas terras e votaram a favor de uma lei que condena o Sul a viver em condições de marginalidade que nos parece destinadas a permanecer eterna, em detrimento das gerações futuras que se sentirão cada vez mais legítimas no abandono das suas terras.

Felipe Costa