A dupla brutalidade da violência contra as mulheres com deficiência: em Messina a ideia de um centro para ouvi-las e defendê-las

Seja dentro dos muros de uma casa, em instituições de acolhimento ou em comunidades residenciais, os noticiários sicilianos dos últimos anos têm contado repetidamente histórias – brutais – que falam de violência terrível e oculta. Acontecimentos diferentes em contexto e protagonistas, mas unidos pelo mesmo horror: abusos contra pessoas com deficiência, muitas vezes jovens, às vezes até menores. São casos que surgem com dificuldade, muitas vezes após longos silêncios, e que revelam a extrema vulnerabilidade de quem vive em condições de fragilidade e dependência.

Entre os episódios mais conhecidos está o do Oásis de Troina, na zona de Enna, onde durante o confinamento de 2020 uma jovem com graves deficiências mentais foi vítima de violência sexual por parte de um assistente social e de saúde. A descoberta da gravidez desencadeou investigações, que culminaram em detenções, julgamentos e condenações definitivas confirmadas pelo Supremo Tribunal em 2023. Novamente na província de Enna, outra investigação foi iniciada em 2023 por alegada violência repetida contra uma menina com deficiência, com vários suspeitos de diferentes idades envolvidos em acontecimentos que remontam a 2022. Em Palermo, em dezembro de 2019, um médico de uma instalação da ASP foi preso por suposto assédio sexual contra uma paciente paraplégica hospedada em Villa delle Ginestre. Ainda antes disso, no final de 2018, outra história abalou a opinião pública: um menor com deficiência denunciou violência de gangues, levando em 2019 à prisão e investigação de vários jovens entre 16 e 18 anos.

Trata-se de violência, fruto de uma dupla discriminação, que quase sempre permanece oculta também porque os agressores são muitas vezes figuras de confiança: familiares, parceiros, cuidadores, profissionais de saúde. Todas as circunstâncias que tornam esta violência difícil de interceptar devido à dependência que liga a pessoa frágil à figura de apoio; devido ao isolamento de uma vida muitas vezes vivida em ambientes fechados, instituições ou contextos familiares pouco abertos ao território o que reduz a possibilidade de pedir ajuda.

E depois talvez o mais inaceitável: a dificuldade de contar e de ser acreditado. Porque quem convive com deficiência, principalmente cognitiva, encontra obstáculos na verbalização dos abusos e uma sociedade que tende a infantilizar ou ignorar a sexualidade e os direitos das pessoas com deficiência, ampliando o risco de violência impune.

Episódios que mostram um quadro complexo e doloroso, que exige respostas: formação específica do pessoal de saúde e de cuidados, serviços verdadeiramente acessíveis, procedimentos de notificação protegidos e uma mudança cultural que reconheça plenamente os direitos, a autonomia e a dignidade das pessoas com deficiência.

Por isso, em Messina, a associação Meter & Miles lança um apelo às instituições: que formem uma rede para a criação de um centro anti-discriminação e anti-violência, que será um ponto de referência na zona para interceptar o que está escondido e apoiar as vítimas. Um primeiro passo para mudar uma realidade que muitas vezes acontece no silêncio, na dupla brutalidade da violência contra as mulheres com deficiência.

Felipe Costa