A fotografia da Calábria: o crepúsculo do trabalho na região sem futuro

Há um sentimento de solidão que gera desânimo nas pessoas desta terra que continuam a viver esmagadas sob o peso das diferenças que geram duas Itálias. Lacunas geográficas e sociais nas escolas, nos cuidados de saúde, nos transportes e nos serviços essenciais em geral. A Calábria é uma terra esvaziada, descamada e corroída pela amnésia da política, onde a emergência é o pão de cada dia e a normalidade é um bem muito raro. E as desigualdades com o Norte crescem, desenhando cenários descritos pelas mil vozes dos relatórios económicos e sociais que são como a luz cinzenta e turva do crepúsculo que rapidamente se transforma em noite. Diagramas impiedosos que colocam esta terra no quadrante de maior risco onde o choro dos últimos corre o risco de se tornar lamento em massa. Não existe um único indicador capaz de tranquilizar a humanidade cada vez mais sofrida que vive nesta província. Primeiro a pandemia, depois a economia de guerra levantaram os muros e impregnaram o rio da pobreza. E, agora, os números que enchem aquele rio cárstico que corre pelas cavidades da região continuam a gerar pressão. Os dados mais recentes do Relatório Social Regional 2024 do INPS e os do Eurostat pintam a mesma verdade sob diferentes perspectivas. A Calábria não é apenas uma terra pobre em rendimentos, mas também em orientação.
O economista Unical, Francesco Aiello, foi um dos poucos que os leu com a lucidez de um analista e a franqueza de um médico com o paciente diante da descoberta de uma patologia grave. Pois bem, dos cerca de 500 mil empregados inscritos no INPS, apenas 6,3% trabalham na indústria, enquanto mais de um terço são absorvidos pelo setor público.
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Felipe Costa