A questão que envolve a Isab e a Lukoil entra numa nova fase após a medida cautelar do Tribunal de Siracusa, que ordenou a continuação do comércio de produtos petrolíferos por via terrestre, obrigando essencialmente a Isab a respeitar o contrato existente com a Lukoil. Uma decisão que surge no final do recurso apresentado pela Lukoil Italia e que reacende a discussão entre as partes sobre a legitimidade da mudança de operador de distribuição de combustíveis refinados.
Numa nota divulgada após a decisão dos juízes, Isab reiterou que a escolha de avançar com a mudança de operador foi feita “no cumprimento da lei”, à luz das sanções impostas pelas autoridades norte-americanas à Lukoil e às suas subsidiárias. Uma decisão que, segundo a empresa, foi adoptada com o objectivo de proteger o Isab e garantir a estabilidade da distribuição territorial regional de combustíveis refinados. Na semana passada a Isab, em conjunto com a Ludoil Energy spa (grupo Ludoil), anunciou “a entrada em execução do contrato” relativo ao carregamento e venda de produtos petrolíferos, bem como à prestação de serviços conexos e auxiliares na refinaria Priolo Gargallo.
O grupo Ludoil está também envolvido, em regime de exclusividade, num processo de due diligence que visa avaliar uma possível aquisição da refinaria. Uma medida contestada pela Lukoil, que definiu as comunicações da Ludoil sobre o início das atividades de retirada de produtos como “sem título legal”, sustentando que não houve rescisão válida do contrato entre a Lukoil Italia e a Isab nem qualquer aquisição legítima.
Daí o recurso ao Tribunal de Siracusa, que deu origem à medida cautelar. Com base na decisão dos juízes, os petroleiros da Lukoil voltarão a distribuir os produtos petrolíferos da Isab a partir de segunda-feira.
Isab, ao tomar nota da decisão judicial, fez saber que não concordava com a mesma, reiterando no entanto “o máximo respeito pelo trabalho do poder judicial”. A empresa anunciou que defenderá os seus direitos nos órgãos competentes, sublinhando como a provisão foi obtida pela Lukoil Italia “sem interrogatório com a Isab”. Enquanto aguarda o acórdão que dê clareza definitiva sobre o assunto, a Isab confirma o seu compromisso em garantir a continuidade do abastecimento terrestre dos seus produtos, tranquilizando o mercado e o território sobre a regularidade do abastecimento de combustíveis.
A questão jurídica, no entanto, permanece em aberto e poderá ter novos desenvolvimentos nos próximos meses.