A polêmica sobre a exibição dos roll-ups com os motivos do “Não” no referendo sobre a reforma do sistema judicial no Tribunal de Reggio Calabria está se ampliando. Após a posição tomada pelo Conselho da Ordem dos Advogados, intervém também o Órgão Forense do Congresso, pedindo a imediata retirada dos cartazes. Nos últimos dias, o conselho executivo seccional da Associação Nacional dos Magistrados de Reggio Calabria tinha defendido a iniciativa, falando de “estigmatização instrumental” e reivindicando “firmemente a liberdade de expressão de todos os magistrados sobre questões que afectam directamente a futura estrutura do sistema judicial”, sublinhando como já existiam cartazes a favor do voto “Sim” no Palácio.
Segundo a ANM, o referendo confirmativo está destinado a ter um impacto profundo na vida dos cidadãos e “todas as oportunidades úteis para a formação de uma consciência crítica sobre os temas em debate devem ser valorizadas e não limitadas”. O Conselho da Ordem dos Advogados de Reggio Calabria teve opinião diferente, tendo manifestado “a mais firme estigmatização” pela exposição de seis painéis em frente aos tribunais. O Presidente Rosário Infantino pediu a retirada do material de propaganda, afirmando que o Palácio da Justiça “não pode tornar-se teatro de política e competição eleitoral ou de referendo” e que a neutralidade das instituições representa um valor absoluto a preservar. Agora também a OCF intervém, com palavras ainda mais claras: «É inadmissível a propaganda de magistrados nos tribunais do Palácio da Justiça de Reggio Calabria».
O órgão do congresso forense solicita a retirada dos cartazes de referendo da Comissão Não da ANM afixados no corredor do Tribunal «para não prejudicar a confiança do cidadão na justiça e também para proteger a imagem de independência e equilíbrio dos magistrados que exercem com empenho a sua atividade judicial». Em nota, a OCF define como “verdadeiramente singular” que a comissão da ANM, contrária à reforma em nome da separação de poderes e da autonomia da política, “demonstre neste caso uma total ausência de cultura de jurisdição, chegando a acreditar que a disputa político-eleitoral pode ocorrer dentro do Palácio da Justiça, justamente onde o cidadão deve ter apenas uma percepção, ou seja, que o juiz aplica a lei sem qualquer condicionamento interno ou externo”.
Segundo o Órgão do Congresso Forense, a exposição de cartazes “inevitavelmente dá aos cidadãos a ideia de um misto entre a administração da justiça e as batalhas políticas”, resultando numa “exploração de lugares institucionais” e oferecendo “a percepção distorcida de que apenas as razões de uma das partes pertencem ao mundo da justiça”. A nota termina com um impulso: «Devemos tomar nota de como mais uma vez a ANM e as suas comissões tomam iniciativas que parecem ser fruto de uma concepção proprietária de justiça». O caso, a poucos passos dos tribunais, torna-se assim terreno de um acalorado confronto entre o poder judicial e os advogados, no delicado equilíbrio entre a liberdade de expressão e a protecção da imagem de imparcialidade dos locais de justiça.