Cop30, Tajani na cimeira de Belém: “Luta contra as alterações climáticas, sim, mas o homem deve estar no centro”

Lutar contra as alterações climáticas, sim, mas com uma abordagem pragmática e nunca ideológica, tendo sempre presente o impacto social das políticas ambientais e seguindo um princípio fundamental que é o da centralidade da pessoa. Esta é a “estrela norte” que guia o governo italiano, representado pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros Antonio Tajani na cimeira do clima em Belém, a “porta de entrada para a Amazónia” no Brasil onde os líderes mundiais se reuniram tendo em vista o início da Cop30 na próxima semana. Um lugar simbólico para um aniversário simbólico, dez anos após o Acordo de Paris e vinte desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto.

“A defesa do ambiente deve partir de um princípio fundamental: a pessoa está no centro de todas as nossas ações de proteção da natureza”, afirmou o responsável da Farnesina no seu discurso ao plenário. A Itália, assegurou Tajani em declarações aos jornalistas, está “fortemente empenhada na luta contra as alterações climáticas”, mas “cada acção deve ter em conta o problema social, isto é, o papel do homem, e o emprego”. “É bom ter objetivos, mas devemos ser sempre pragmáticos e nunca ideológicos”, continuou o vice-primeiro-ministro, convencido de que “não há necessidade de abordagens ideológicas que imponham objetivos insustentáveis ​​e inatingíveis, prejudicando assim o sistema económico, industrial e social europeu”.

Um exemplo é o acordo alcançado entre os países da UE sobre o objetivo de redução de emissões para 2040, definido por Tajani como “um acordo ambicioso, inspirado na racionalidade e no equilíbrio, um bom compromisso”. Este é “um resultado muito positivo para o nosso país, para as nossas empresas, para a agricultura, para a indústria”, continuou o ministro, que perante os restantes dirigentes no plenário sublinhou como “a resposta às alterações climáticas exige políticas de crescimento, desenvolvimento e criação de emprego”. “As políticas ambientais não devem representar um constrangimento, mas sim uma grande oportunidade de progresso e liberdade, uma força motriz para investimentos para o crescimento e a inovação tecnológica”, acrescentou, olhando para o Green Deal.

A palavra de ordem é equilíbrio, reiterou Tajani, consciente de que “é preciso fazer mais”, especialmente “aqueles países que não estão a reduzir drasticamente a sua poluição”. “Acredito que a Europa fez muito, está na vanguarda em relação aos outros, pagando também um preço, porque também há dumping ambiental de outros países em relação a nós, estou a pensar na China”. Um fenómeno contra o qual, em alguns sectores, como «por exemplo o aço e a cerâmica, podem ser adoptadas medidas anti-dumping, que não são direitos», especificou o ministro. “Porque quando há concorrência desleal, como o dumping, é preciso proteger-se.”

Felipe Costa