O encerramento da relação entre Salvatore Gualtieri e Cosenza Calcio pode ser lido em comunicado da associação Cosenza no coração – Apoiador Confiança, não é um episódio isolado, mas representa “a gota que quebra um vaso já cheio”. A despedida do profissional marca um profundo rompimento numa gestão empresarial hoje considerada insustentável.
Segundo a associação, Gualtieri teria encarnado uma das últimas tentativas de manter a ligação entre a equipa e os adeptos, num contexto em que a distância entre clube e público se tornou cada vez mais acentuada. A sua saída é definida como mais uma consequência de uma gestão administrativa que, sublinham os adeptos, “nada tem a ver com a boa governação de um clube de futebol profissional”.
O documento destaca como, apesar da declarada aversão à actual propriedade, parte dos apoiantes tinha percebido sinais de uma possível normalização. Uma perspectiva que, com a interrupção da relação com Gualtieri, teria desaparecido definitivamente, devolvendo o ambiente a uma fase de forte instabilidade e desconfiança.
A declaração amplia então seu foco para o papel da política. «Toda uma população se pergunta onde está a verdadeira política», voltamos a ler, denunciando a ausência de intervenções para proteger um fenómeno social considerado central para a cidade. A associação fala de uma comunidade privada de um espaço de agregação e identidade, sem que tenha havido uma tomada de posição clara por parte das instituições.
Para o Supporter Trust, o futebol não pode ser considerado um assunto marginal, mas sim um elemento fundamental da vida social da cidade. Daí o apelo final aos adeptos: não esqueçam o que está a acontecer, transformem o descontentamento em participação e façam valer o seu peso democrático, também tendo em vista as eleições autárquicas de 2027. “Quando basta, é demais”, conclui o comunicado, convidando a comunidade a reencontrar a unidade e a voz.