De Pantelleria a Marte: em um lago siciliano os fundamentos da vida

De Pantelleria a Marte: Um lago siciliano localizado na ilha provou ser um laboratório natural ideal para simular ambientes semelhantes aos que poderiam ter existido bilhões de anos atrás, tanto no planeta vermelho quanto na Terra, e que podem ter dado origem aos primeiros organismos vivos. Um grupo de pesquisadores italianos, a partir da água do lago, conseguiu de fato sintetizar as principais moléculas da vida, obtendo indicações preciosas em seus mecanismos básicos. O estudo, publicado no International Journal of Molecular Sciences, é o resultado da colaboração entre as universidades de Tuscia e Sapienza em Roma, o Instituto Nacional de Astrofísica e o Conselho Nacional de Pesquisa, com o Instituto de Pesquisa sobre as águas de Montelibretti e o Instituto de Biologia Molecular e Patologia de Romé.

O lago, chamado água da água, possui características únicas: pH alto, atividade hidrotérmica e presença de muitos minerais e micróbios diferentes. “Usando a água do lago – diz Giovanna Costanzo de INIF e IBPM -CNR, entre os autores do estudo – conseguimos sintetizar as moléculas de RNA, uma das duas moléculas fundamentais para a vida junto com o DNA, começando por alguns de seus precursores”.
Além do EN, os pesquisadores também obtiveram todas as bases presentes no DNA e RNA e os componentes do PNA, o ácido peptídico nucleico, que é um potencial precursor dos outros dois. “A vida, portanto, poderia ter um método de origem química comum, tanto no passado distante de Marte quanto na terra primitiva”, comenta Raffaele Saladino da Universidade de Tuscia, entre os pesquisadores que participaram do trabalho.
O estudo foi financiado pela Agência Espacial Italiana como parte do projeto de ‘Melhoramento da Astrobiologia: “Os resultados deste projeto – diz Claudia Pacelli, gerente científica do projeto da ASI – constituem uma peça fundamental no conhecimento da origem da vida na Terra”.

Felipe Costa