Dupla operação para Lindsey Vonn após acidente em Cortina: “É o fim da carreira dela”

Uma queda dramática, ocorrida após apenas treze segundos de corrida na pista Olympia delle Tofane, e um silêncio cheio de consternação entre fãs e entusiastas. Lindsey Vonn, lenda do esqui alpino feminino dos EUA, foi submetida a uma operação dupla após o acidente de ontem em Cortina d’Ampezzo.

Quem marcou o futuro desportivo da campeã foi o seu pai, Alan Kildow, que falou sem rodeios à noite: «Ela tem 41 anos, este é o fim da sua carreira». O homem passou a noite com a filha no hospital Cà Foncello, em Treviso, onde os cirurgiões italianos, apoiados pela equipa norte-americana, intervieram para reduzir a fractura do fémur da perna esquerda e aplicar uma fixação externa.

A operação e a transferência para Treviso

Vonn foi inicialmente transportado de helicóptero para o hospital Codivilla, em Cortina, imediatamente após o acidente. Posteriormente, por recomendação da equipe médica da seleção norte-americana, foi acertada a transferência para Treviso, um dos dois centros hospitalares de referência para emergências olímpicas junto com Niguarda.

A cirurgia também foi necessária para prevenir complicações relacionadas ao inchaço e à circulação sanguínea. O médico pessoal do esquiador esteve presente na sala de cirurgia como observador, enquanto os procedimentos foram orientados por cirurgiões italianos. A princípio, apenas a notícia de uma operação para “estabilizar” sua perna esquerda passou pela comitiva da campeã.

As palavras do pai e o debate sobre a escolha de competir

Em declarações à agência Associated Press, Kildow sublinhou a força de carácter da filha: «Ela é muito forte e tem uma personalidade forte. Ele conhece a dor física, entende sua situação e está lidando bem com ela”.

A participação de Vonn nos Jogos já havia suscitado o debate sobre a oportunidade de subir às pistas, considerando que a esquiadora chegou a Cortina com uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo, após uma queda no final de janeiro na Copa do Mundo em Crans Montana.

O presidente da Federação Internacional de Esqui esclareceu que a escolha foi feita de forma autónoma: “Foi uma decisão que só ela poderia tomar, que conhece as suas lesões melhor do que ninguém”. O acidente foi descrito como “incrivelmente infeliz”, resultado de uma trajetória muito próxima do gol que causou uma rotação descontrolada no ar.

Decoro e confidencialidade

No momento a equipe americana mantém o máximo sigilo em relação ao andamento pós-operatório. Nenhum boletim médico foi divulgado e o acesso ao hospital foi negado a jornalistas e operadores.

O presidente do Veneto mandou entregar à campeã pela manhã um ramo de flores, acompanhado de um bilhete: «Mesmo nas adversidades, o seu espírito continua a ser uma poderosa fonte de inspiração para os atletas e para quem acredita nos valores da dedicação, do sacrifício e da perseverança».

Felipe Costa