Ensinar ou harmonizar um coro de vozes. Um ensaio interessante da professora de Messina Patrizia Salvatore

Existe um momento em que você passa das esponjas às peneiras? Numa das fases históricas mais críticas para a escola, Patrizia Salvatore – professora de Filosofia e História no liceu clássico “La Farina” de Messina e doutora em ciências políticas, históricas e filosófico-simbólicas – tenta dar um significado profundo à relação educativa: a caracterização reside inteiramente na relação dialética entre professor e aluno. O volume «Das Esponjas às Peneiras. Uma experiência de ensino-aprendizagem do Cambridge IGCSE History Syllabus” que a professora, com a co-editora Clare James, publicou com as edições Di Nicolò.

Salvatore parte de uma pergunta: por que focar unilateralmente em uma única perspectiva? «A comunicação autêntica – ela responde antes de tudo a si mesma – ocorre quando cada pessoa é capaz de imaginar o ponto de vista do outro». E é aqui que a abordagem mais tradicional é derrubada: um professor entendido como um mero transmissor que enche vasos com o seu próprio conhecimento não pode deixar de falhar na tarefa. As atividades de aprendizagem cooperativa e o diálogo constante testemunham isso em sala de aula: “A aula vira um coral em que as vozes, cada uma com seu timbre, são harmonizadas pelo professor”.

O livro descreve ideias e reflexões sobre a experiência de ensino do programa Cambridge IGCSE History. Nessa abordagem, a filosofia é o fundamento da história. E o ensino-aprendizagem permite que as crianças se transformem de esponjas em peneiras (voltando à questão inicial), numa construção crítica do conhecimento no sentido literal do grego «krinomai», ou seja, avaliar, discernir, escolher. Escrito em inglês «não só porque o Programa de História Internacional é em inglês, mas também com vista a um convite à abertura a outras culturas», a obra de Salvatore termina com um poema, única página em italiano. Salvatore escreve com paixão; demonstra que ama sua profissão, que hoje se complica cada vez mais por mil dificuldades que poderiam desmotivar o professor sério. E a sensação é a de um novo Sísifo – uma metáfora feliz – que se vê arrastando a pedra até ao topo da montanha, para depois vê-la cair desastrosamente no vale. O autor, no entanto, encontra a força do otimismo que se materializa no compromisso comum: rolar a pedra até ao topo juntos, porque “temos o privilégio de exercer uma profissão construtiva, num mundo em que só a educação nos pode salvar”.

Felipe Costa