Messina, Basile ainda sem conselho. Scurria ataca: “É o Manual Cencelli 2.0”

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Quinze dias após a proclamação do prefeito Federico Basile, a composição do novo conselho municipal continua uma incógnita. Um atraso que alimenta o debate político na cidade e que, segundo Marcello Scurria, candidato a autarca de centro-direita nas últimas eleições autárquicas, seria um sinal de tensões e dificuldades no seio da maioria.

Numa nota divulgada nas últimas horas, Scurria aponta o dedo ao que define como uma versão atualizada do “Manual Cencelli”, o tradicional sistema de divisão de cargos políticos baseado no equilíbrio entre os diferentes componentes de um partido. Uma dinâmica que, na sua opinião, está a abrandar a nomeação de vereadores, apesar do quadro político parecer tudo menos incerto.

“Não há maiorias a construir, alianças a negociar ou acordos políticos a alcançar após a votação”, observa Scurria, recordando como Basile conseguiu uma vitória clara e pode contar com uma maioria sólida na Câmara Municipal. O ex-candidato a prefeito destaca ainda que seis vereadores já haviam sido indicados durante a campanha eleitoral, elemento que dificulta ainda mais a compreensão dos motivos do impasse.

Segundo Scurria, a questão se enquadra exclusivamente na mesma área política que apoia o prefeito. “Depois da votação abriu-se o jogo de expectativas”, afirma, referindo-se aos pedidos de representação vindos de quem obteve mais consenso, de quem ficou fora da Câmara Municipal ou de quem acredita ter contribuído significativamente para o sucesso eleitoral da coligação.

Daí a acusação de um “Manual Cencelli 2.0”, que não serviria mais para garantir o equilíbrio entre diferentes partidos, mas para distribuir cargos e reconhecimentos dentro de um mesmo movimento político. Uma situação que, segundo Scurria, corre o risco de se transformar num paradoxo: uma maioria forte que acaba por ser abrandada precisamente pela gestão do seu próprio equilíbrio interno.

«Quanto mais dias passam, mais se fortalece a impressão de que o problema não é identificar os melhores vereadores para administrar a cidade, mas encontrar uma fórmula capaz de não desagradar ninguém», sublinha.

Nas conclusões da sua nota, Scurria fala de uma correspondência que preocuparia mais as estruturas internas de poder do que a prefeitura, criticando o que define como uma utilização da “velha subdivisão” por um partido que se definiu como “pós-ideológico”. “Nada de novo sob o sol”, comenta ironicamente o antigo candidato de centro-direita.

Felipe Costa