O acordo sobre Gaza fecha na sexta-feira, mas há veto de Israel sobre Barghouti. Hamas fornece provas de 20 reféns vivos

Com a chegada a Sharm el Sheik dos dois enviados do presidente dos EUA, do negociador-chefe israelita, do primeiro-ministro do Qatar, e da presença oficial do chefe da inteligência turca, a negociação para o acordo de paz em Gaza e a libertação de todos os reféns entrou na fase operacional. As declarações divulgadas pelos meios de comunicação árabes são positivas, enquanto os israelenses são mais cautelosos, mas ainda otimistas. As bem informadas notícias do Canal 12 informam que os mediadores do Catar acreditam que um acordo pode ser alcançado até sexta-feira: o objetivo é anunciar o acordo esta semana e começar a libertar os reféns na próxima semana. Notícia confirmada por um responsável da Casa Branca, segundo quem há “bons progressos nas negociações e um acordo poderá ser alcançado dentro de poucos dias”. O ministro das Relações Exteriores da Turquia disse que um cessar-fogo poderia ser anunciado já na noite de quarta-feira, mas as autoridades israelenses questionam esse momento.

Entretanto, o Hamas forneceu informações sobre “cerca de 20 reféns ainda vivos”, disseram autoridades israelitas ao Canal 12. O relatório acrescenta que o grupo terrorista afirma que ainda está à procura de alguns dos reféns mortos – Israel confirmou a morte de 26 dos 48 reféns – e que não está claro se todos eles podem ser localizados.

Nada ainda é dado como certo. E depois da primeira ronda de conversações estamos agora a entrar na fase delicada. A começar pela troca de reféns e prisioneiros israelitas detidos em celas israelitas. As partes trocaram listas. E o do Hamas, que pede mais do que as 250 penas de prisão perpétua previstas, conteria nomes – como os de Barghouti e Saadat – que continuam a ser uma “linha vermelha” para Israel. Com Netanyahu que, segundo a mídia, estaria disposto a exercer um veto real. A questão da libertação dos raptados também permanece, especialmente daqueles agora sem vida, para os quais a facção palestina anunciou que levará muito tempo para localizá-los. Também a ser resolvida, depois de alcançada a trégua e a libertação dos sequestrados, está a questão do desarmamento e da retirada das FDI. Este é o último ponto sobre o qual Doha pediu garantias precisas.

No entanto, os mediadores continuam optimistas e o presidente egípcio Sisi convidou Donald Trump ao Cairo para a cerimónia de assinatura do acordo entre Israel e o Hamas, caso este seja assinado: «As conversações em Sharm estão a progredir positivamente. Convido o Presidente dos EUA a participar na assinatura do acordo de cessar-fogo, caso este seja alcançado. Seria maravilhoso tê-lo aqui.” Entretanto, o site mais lido em Israel, o Ynet, revela que as autoridades de Jerusalém também se preparam para a possibilidade da chegada de Trump caso se chegue a um acordo. Uma eventualidade que, no entanto, neste momento não encontraria confirmação em Washington.

Segundo uma fonte da Casa Branca ao Politico, o enviado dos EUA para o Médio Oriente e conselheiro (e genro) de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, tiveram uma ‘reunião estratégica’ com o presidente no Salão Oval antes de partirem para o Egipto. Em Sharm el-Sheikh, depois das reuniões “técnicas” iniciais, todos os principais mediadores participaram nas discussões de quarta-feira: Witkoff e Kushner pelos EUA, o chefe da delegação israelita Ron Dermer, o primeiro-ministro do Qatar Mohammed al-Thani, o diretor da inteligência turca (MIT) Ibrahim Kalin. Para o Hamas estão Zaher Jabarin e Khalil al-Hayya.

Segundo fontes palestinianas, as divergências dizem respeito, em particular, às listas de detidos a incluir no intercâmbio com os raptados. A organização islâmica incluiu entre os condenados à prisão perpétua os nomes dos chamados “sete grandes”: Marwan Barghouti, Ahmed Saadat, Hassan Salameh Abdullah, Ibrahim Hamed, Abdullah Barghouti, Abbas al-Sayed, Nayef Barghouti. Todos eles têm dezenas de penas de prisão perpétua a cumprir e centenas de outras por crimes relacionados com o terrorismo. O plano inicial previa a libertação de 250 prisioneiros perpétuos (de um total de 280) e até 1.700 pessoas detidas após 7 de Outubro de 2023. O Hamas, soube-se, também pediria a devolução dos corpos de Yahya e Muhammed Sinwar. Jerusalém nem sequer está disposta a libertar os milicianos do Hamas Nukhba que cometeram o massacre há dois anos. Os americanos, dizem os meios de comunicação israelitas, estão determinados a não abandonar a mesa de negociações até que o acordo seja assinado.

No meio das negociações cruciais em Sharm, os combates continuam em Gaza entre os milicianos do Hamas e o exército israelita. Na tarde de quarta-feira, as FDI anunciaram que eliminaram vários terroristas que atacavam tropas e tentavam sequestrar soldados numa posição na cidade de Gaza. A mídia saudita disse na tarde de quarta-feira que a “pressão árabe exercida sobre as partes não tem precedentes”.

Felipe Costa