O Irã oferece sete dias para a paz em Ormuz. Trump desacelera e relança com o “Estreito de Trump”

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Sete dias para restabelecer o trânsito marítimo normal no Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre um acordo final com os Estados Unidos. Esta é a proposta apresentada pelo Irão e ilustrada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU. O plano, transmitido a Washington através de intermediários, prevê uma sequência de medidas a partir do dia seguinte à aceitação formal dos EUA. Estes são os pontos principais.

A POSIÇÃO IRANIANA – «A escolha agora depende dos Estados Unidos. O Irão não aceita coerção, ameaças ou intimidação e não abrirá mão dos seus direitos soberanos sob pressão”, disse Araghchi ao apresentar a proposta.

A RESPOSTA AMERICANA – De acordo com o Wall Street Journal, que cita autoridades dos EUA, o presidente Donald Trump rejeitou o plano. No entanto, Teerã diz que ainda aguarda uma resposta oficial. Trump também publicou um mapa no Truth Social com o Estreito de Ormuz circulado e chamado de “Estreito de Trump”.

O PRECEDENTE DE ISLAMABAD – Araghchi apresenta o plano como um caminho para implementar os compromissos do memorando de entendimento alcançado em junho entre o Irã e os Estados Unidos com a mediação do Paquistão. O acordo foi rescindido menos de um mês depois, quando Trump o declarou encerrado, após alegados ataques iranianos a navios e petroleiros em Ormuz, no início de julho.

A ESCALADA E A ESTALAGEM – Washington restabeleceu então o bloqueio naval e retomou o bombardeamento do sul do Irão. Teerão respondeu atacando alvos dos EUA em países regionais e navios que tentavam cruzar uma rota protegida pelos EUA perto de Omã. A escalada bloqueou as negociações: o Irão já tinha indicado as suas condições para reabrir Ormuz e retomar o diálogo, enquanto Trump pedia a rendição da República Islâmica.

CESSAR-FOGO REGIONAL – Teerã propõe a suspensão das hostilidades por sete dias no Oriente Médio, incluindo o Líbano e o Iêmen.

FIM DO BLOQUEIO NAVAL – Os Estados Unidos deveriam levantar o bloqueio naval aos portos iranianos, uma das condições estabelecidas por Teerã para implementar o plano e avançar para a reabertura de Ormuz.

LEVANTAMENTO DAS SANÇÕES DE PETRÓLEO – Washington deveria remover as sanções às vendas de petróleo bruto iraniano, permitindo a normalização das exportações de petróleo da República Islâmica.

DESCONGELAMENTO DE ATIVOS CONGELADOS – A proposta prevê a liberação de ativos iranianos congelados com valor estimado em pelo menos 12 bilhões de dólares.

PRIMEIROS QUATRO E CINCO DIAS – Segundo Araghchi, essas quatro medidas deverão ser implementadas pelos Estados Unidos nos primeiros quatro ou cinco dias do calendário, sem que seja indicada uma varredura diária para cada intervenção.

SEXTO DIA: REABERTURA DE HORMUZ – A reabertura do Estreito e a normalização do tráfego marítimo ocorreriam no sexto dia, desde que os pedidos de Teerã fossem atendidos.

SETE DIAS: NEGOCIAÇÕES FINAIS – O último passo seria o início das negociações entre o Irã e os Estados Unidos para um acordo final. A discussão diria respeito a questões que as partes concordam em negociar, incluindo o programa nuclear do Irão.

Felipe Costa