O supernavio tecnológico chinês que chegou ao Estreito de Ormuz chama-se LIAOWANG-1: 225 metros, 30 mil toneladas, faz parte da frota que auxilia o desenvolvimento e as missões espaciais da China. Possui capacidade de coleta e processamento de dados medida em milhares de petabytes (um petabyte equivale a um milhão de gigabytes): pode percorrer até 6 mil quilômetros de distância com seus radares, detectando mísseis, bases de lançamento, atividades de aeronaves e porta-aviões. A sua capacidade de recolher inteligência electrónica (ELINT) e monitorizar lançamentos estrangeiros permite a espionagem e o ataque a activos espaciais adversários, mas neste caso é capaz de rastrear e monitorizar a actividade em curso na guerra entre os EUA-Israel e o Irão.
Vigilância para fins defensivos?
Não se sabe se e quanto desta informação será repassada aos iranianos e sobretudo quais. A vigilância provavelmente será dedicada a fins defensivos, ou seja, monitorar lançamentos de mísseis e pausas entre uma onda e outra. Informações mais detalhadas (posição de navios e porta-aviões, por exemplo) podem não ser fornecidas por se tratar de um ato hostil, desencadeando uma reação, então legítima, contra o navio.
O LIAOWANG-1 é escoltado por um cruzador e um contratorpedeiro, mas não possui armas a bordo. Lançado em 2023 pela China State Shipbuilding Corporation no Estaleiro Jiangnan, este navio de 225 metros e 30.000 toneladas, operado pela Força Aeroespacial (ASF) do Exército de Libertação Popular (PLA), completou testes de mar entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 e entrou em serviço em abril de 2025. Ao contrário de seus antecessores Yuanwang, que se concentravam principalmente em telemetria, rastreamento e controle (TT&C), o Liaowang-1 introduz capacidades multi-missão, integrando alerta antecipado, comando e funções potenciais de contraespaço.