O Conselho de Ministros aprovou o decreto legislativol Contas; a disposição contém medidas para mitigar o custo da energia para famílias e empresas de baixos rendimentos, com benefícios estimados em cerca de 5 mil milhões de euros. O decreto era aguardado há vários meses: a redação passou por alguns problemas técnicos e pela complexa busca de recursos.
Bônus social e contribuições extraordinárias
Entre os pontos mais relevantes do texto está uma contribuição extraordinária de 115 euros para 2026 para o fornecimento de energia eléctrica a favor das famílias com prémios sociais (aquelas com ISEE até 9.796 euros, ou até 20.000 euros para famílias com pelo menos quatro filhos a cargo). O apoio será regido por uma resolução da Arera com um limite máximo de gastos de 315 milhões de euros.
Para os anos de 2026 e 2027, os comercializadores de energia eléctrica podem reconhecer os seus clientes nacionais – não titulares do prémio social e com ISEE não superior a 25 mil euros — contribuição extraordinária para cobrir a compra de energia eléctrica no valor aproximado de 60 euros. O valor económico da contribuição é igual à componente do Preço da Energia aplicada ao consumo nos primeiros dois meses do ano, desde que o consumo não exceda 0,5 MWh.
Aumento do IRAP para empresas de energia
Outra inovação significativa é o aumento de 2% na alíquota do IRAP para empresas do setor energético. Os recursos decorrentes do aumento da tributação, estimados em 431,5 milhões de euros em 2026, 501,1 milhões em 2027 e 68,4 milhões em 2028, serão destinados à redução da componente de encargos gerais do sistema relativos ao apoio às energias renováveis e à cogeração para utilizadores não domésticos (excluindo iluminação pública).
As palavras do primeiro-ministro Meloni
É uma “medida muito significativa que toca numa das prioridades que nos propusemos desde o início: reduzir o peso das contas sobre as famílias e as empresas”, comenta a Primeira-Ministra Giorgia Meloni. Especifica depois: «É um decreto que terá um impacto significativo e garantirá benefícios na ordem de mais de 5 mil milhões de euros».
O primeiro-ministro enumera alguns exemplos: «Um artesão ou um pequeno dono de restaurante terá uma redução média superior a 500 euros por ano na conta de luz e 200 euros na conta de gás. Para as PME de maior dimensão, o benefício estimado aumenta para cerca de 9.000 euros por ano para a electricidade e 10.000 euros para o gás. Chegamos às maiores empresas, como as produtoras de gás, que poderão beneficiar de um corte de mais de 220 mil euros por ano no gás.”
Separo ETS e concorrência
O decreto também aborda a questão da possível separação dos direitos do RCLE (Sistema de Comércio de Emissões), o que contribui para o elevado nível de preços. O Primeiro-Ministro sublinha: «Queremos separar o custo do RCLE da determinação do preço das energias renováveis para reduzir os custos». É uma regra que exigirá autorização da União Europeia.
Para promover a concorrência no mercado do gás, a Arera introduzirá um serviço de liquidez com contratos que proporcionarão recompensas aos operadores selecionados e oferecerão obrigações associadas aos preços do TTF.
Para incentivar o comércio a longo prazo de electricidade proveniente de fontes renováveis, as empresas também poderão proceder de forma agregada através de uma plataforma pública.
Críticas da oposição
Não faltam críticas. «O decreto do Projeto de Lei acaba por ser uma medida fraca e insuficiente», afirma Antonio Misiani (Pd). Para Davide Faraone (Italia Viva), «a montanha deu à luz um novo rato energético».