Pnrr, a Calábria do paradoxo: gastos lentos e burocracia rápida

Há um paradoxo italiano que o Pnrr deixou claro: a Calábria continua entre as últimas regiões em termos de capacidade de despesa, mas o Sul hoje corre mais rápido que o Norte na máquina dos procedimentos públicos. Apenas uma aparente contradição. De facto, dentro destes números coexistem as duas Itálias: a do reporte financeiro, que ainda é lenta, e aquela, menos visível mas talvez mais decisiva, que em poucos anos conseguiu transformar a sua máquina administrativa.
A 26 de fevereiro de 2026, os pagamentos efetivamente certificados do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência atingiram 55,5% dos recursos disponíveis, pouco mais de 93 mil milhões de euros. O Centro-Norte atinge 52,7% da despesa reportada para todas as obras, o Sul mantém-se inalterado nos 39,5%, valor que desce para 32,9% nas obras públicas. A Calábria fecha o ranking nacional, à frente da Sicília, com participações de 35,6% nos pagamentos de todas as obras e 32,9% nas obras públicas. Diagramas que continuam a transmitir a imagem de um Sul eternamente incompleto. Mas a diferença aumenta ainda mais no capítulo das obras públicas, onde a diferença entre as duas macroáreas ultrapassa os vinte pontos percentuais e a Campânia, a Calábria e a Sicília continuam a ser as regiões mais em dificuldade.
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Felipe Costa