Rosaria Salvatico, a destemida Miranda em “A Tempestade”. A atriz de Messina interpreta Shakespeare

Um dos textos mais conhecidos e queridos de William Shakespeare, “A Tempestade” volta aos palcos de hoje até dia 16 no Teatro Stabile de Catânia, com a famosa tradução de Agostino Lombardo de Messina e adaptação e direção do argentino Alfredo Arias. O protagonista da peça – que abre a temporada teatral “O poder dos sonhos” – Graziano Piazza, que é o duque de Milão Próspero, mágico e governante da ilha onde pousam os náufragos de uma tempestade que ele mesmo desencadeou. A atriz que interpreta sua filha Miranda é de Messina, Rosaria Salvatico, nascida em 1997, formada pela Academia Inda de Siracusa e ex-aluna das oficinas de Angelo Campolo na Associação Daf. Em 2023 foi dirigida no teatro por Mario Incudine e Moni Ovadia em “Liolà” e integrou o elenco do drama do Canale 5 “Vanina – Un vice-chief in Catania”.

No espetáculo, Salvatico é uma jovem totalmente investida de admiração, compaixão e piedade, e alheia a quaisquer sentimentos negativos: «Miranda encontra-se nesta ilha sozinha com o pai, o monstro Caliban (Rita Fuoco Salonia) e o espírito Ariel (Guia Jelo) – conta-nos – e não conhece outro ser humano. Seu caminho de crescimento começará a partir desta tempestade que na verdade é uma tempestade da alma, visível e interna ao mesmo tempo. A primeira pessoa que ela conhecerá além do pai será o príncipe Ferdinand (Lorenzo Parrotto), seu primeiro amor e futuro marido.”

Um personagem positivo e complexo, que se enquadra totalmente na natureza da trama.
«Uma menina que não tem medo de descobrir a vida, sabe entrar em conflito com o pai, e até a relação entre os dois é cheia de simbolismo. Compreendemos a dificuldade dos pais em se desapegar da filha e ao mesmo tempo se preparar para a separação; até mesmo os espíritos que servem Próspero têm simbolismo próprio e representam a relação de escravidão.”

Existe uma contemporaneidade do personagem?
«Devemos sempre trazer os papéis de volta à contemporaneidade: tomo o deslumbramento da personagem como ponto de partida para a reflexão sobre os dias de hoje, em que perdemos tanto desse deslumbramento: talvez saber demais, numa época em que questionamos ferramentas tecnológicas, como o Chat Gpt, nos tira o deslumbramento que há nela. Miranda não sabe e pode se dar ao luxo dessa “ignorância”.

Produção do Teatro Stabile di Catania, Marche Teatro, Tieffe Teatro e TPE Teatro Piemonte Europa com Estate Teatrale Veronese.

Felipe Costa