Ele chama Zelensky de “Putin” e confunde Kamala Harris com Trump: mais uma gafe de Biden (que não sai da disputa)

O presidente dos EUA, Joe Biden, reiterou que não se retirará da corrida à Casa Branca. «Eu venci Donald Trump – declarou – e vou vencê-lo uma segunda vez. Tenho um trabalho para concluir.” Numa conferência de imprensa que durou quase uma hora, no final da cimeira da NATO, respondendo a uma série de perguntas da imprensa, Biden reagiu com raiva aos apelos de seu próprio partido para se afastarapós seu desempenho decepcionante no duelo televisionado com Trump.

Havia muita expectativa entre os americanos, e ansiedade entre os democratas, pela possível amnésia de Biden, pelos deslizes, pelos sinais de declínio, mas não houve desastres, exceto alguns erros, como quando confundiu Kamala Harris com Trump dizendo que “escolheu Trump como vice-presidente porque estava convencido de que ela estava qualificada para ser presidente” (ontem, durante a conferência da OTAN, ele chamou Zelensky de “Putin”). O seu adversário aproveitou para relançar o passe sobre Truth, dizendo “muito bem, Joe”, mas o próprio magnata caiu em uma série de gafes nos últimos diaspor sua vez confundindo nomes e fatos.

Biden quis ser claro: não abandonará a corrida, definiu-se como o “mais qualificado para vencer Trump”, admitiu ter cometido erros no duelo televisivo do final de junho, “mas também porque tive horas exaustivas, enquanto Trump passava o tempo jogando golfe e marcando pontos.” Sobre a NATO, o presidente reiterou ainda que é o “mais qualificado para garantir que a Ucrânia não caia e possa ter sucesso contra a Rússia”, e revelou que os líderes dos países aliados não lhe pediram para não concorrer, mas sim para vencer, para «deter aquele que é visto como um desastre».

Biden lembrou ainda que quando se definiu como candidato ao ferry, em 2020, a situação mudou, emitindo um alerta sobre a “democracia sitiada”. O presidente citou o “Projeto 2025”, o manifesto da virada autoritária criado por um think tank conservador ligado a Trump, e cujo nome aparece no texto mais de trezentas vezes. No final, Biden conseguiu dar respostas claras e diretas, evitando desastres e passando a imagem de um comandante firme da política externa. Sobre a Rússia, disse que “não tem boas razões para falar” com o presidente russo Vladimir Putin “até que ele mude de atitude”, lembrou que “não se ajoelhará diante de Putin”, e avisou a China que ajudaria Moscovo na guerra com A Rússia Ucrânia «não trará benefícios económicos como consequências».
Na passagem mais problemática, aquela em que confundiu Harris com Trump, Biden promoveu, no entanto, a sua vice-presidente, considerada por muitos como a sua possível substituta, definindo-a “qualificada desde o primeiro momento para ser presidente”.

Biden passou no teste? Parou a hemorragia de apoio dentro do partido, entre os democratas no Congresso? Veremos isso nas próximas horas, mesmo que pareça difícil: pelo menos catorze congressistas democratas pediram-lhe publicamente que se afastasse. Mas entretanto os comentários nas principais redes americanas, da CNN à MSNBC, e no New York Times, TV e jornais que apoiaram a retirada de Biden da corrida, foram positivos.
O presidente parecia mais espirituoso do que o esperado e mais lúcido, ainda que continue a ser um homem cansado de 81 anos, com uma tarefa muito complexa: liderar o país mais poderoso do mundo, um papel que não deixa espaço para descanso. O facto de a campanha de Trump ter apostado tudo numa gafe foi lido pelos comentadores americanos como um sinal de que Biden não era tão desastroso como os seus adversários, internos e externos, esperavam.

Felipe Costa