«O escândalo das últimas leis eleitorais é que transferem a soberania do eleitor para os eleitos com candidaturas múltiplas e listas bloqueadas. Nesta proposta, cujo texto ainda se aguarda, estes dois dispositivos permanecem e são amplificados. No Rosatellum, pelo menos, existia a cota de círculos eleitorais uninominais escolhidos pelos eleitores, cota que neste caso desapareceria. Portanto, na prática, os eleitores já não decidem nada.”
“Há forte suspeita de inconstitucionalidade”
Isto foi dito pela constitucionalista Michele Ainis (de Messina) quando questionada sobre a nova lei eleitoral. «Além disso – acrescenta – há uma forte suspeita de inconstitucionalidade de um resultado dopado por um bónus de maioria anormal, que podemos estimar em cerca de 17%. Uma coligação que obtivesse 40% dos votos nas urnas, o que reflecte 20% do consenso real (já que um em cada dois eleitores vai agora votar) obteria uma forte maioria parlamentar. Só nós, em Itália, temos os prémios da maioria… A única parte aceitável são as segundas voltas, o que significa pelo menos ter de obter mais um voto para vencer.”