Justiça, depois do referendo Nordio admite: “Minha responsabilidade”. Sisto tenta “consertar as coisas” com a ANM

O resultado do recente referendo sobre a justiça abre uma nova fase de reflexão e comparação entre a política e o poder judicial. No centro do debate estão as declarações do Ministro da Justiça, Carlo Nordio, que assumiu claramente a responsabilidade política pela reforma. «Esta é uma reforma que leva o meu nome e por isso assumo a responsabilidade política por ela. Se houve defeitos de comunicação ou de abordagem, foram meus também”, afirmou o ministro falando no Sky Tg24. Palavras que marcam uma assunção direta de responsabilidade, mas ao mesmo tempo destacam questões críticas na gestão e comunicação do projeto de reforma.

Nordio não escondeu as possíveis consequências políticas do resultado do referendo, sublinhando que há um reforço do papel da Associação Nacional dos Magistrados. “É uma vitória da ANM, sejamos claros”, declarou, prevendo um aumento do seu poder de negociação e uma maior capacidade de pressão política. Segundo o ministro, esta dinâmica terá repercussões transversais no equilíbrio político, envolvendo também forças da oposição face aos cenários futuros do governo. No quadro traçado por Nordio emerge também o risco de tensões no seio da maioria, com possíveis divisões ligadas à atribuição do resultado político do referendo. Neste contexto, a ANM é descrita como “a verdadeira vencedora”, capaz de se estabelecer como uma entidade política atípica, capaz de se opor aos governos.

Também em causa esteve a intervenção – muito mais cautelosa – do Vice-Ministro da Justiça Francesco Paolo Sisto. Segundo Sisto, o resultado do referendo pode representar uma oportunidade para redefinir construtivamente as relações entre a política e o judiciário. “Acredito que podemos traçar novos caminhos de forma responsável na relação entre a política e o poder judicial”, afirmou, sublinhando a necessidade de estabelecer métodos partilhados de discussão. Nesta perspectiva, um papel fundamental também poderia ser desempenhado pelo Conselho Nacional de Perícia, apontado como interlocutor essencial no processo de reforma.

Sisto lembrou ainda como a ANM, embora se opusesse ao método de revisão constitucional proposto, sempre apoiou a necessidade de reforma do sistema judicial. Este mesmo ponto poderia representar a base para um diálogo concreto e construtivo. “Se isto for verdade, existem todas as condições para se levantar a hipótese de um diálogo efetivamente orientado para a melhoria do sistema de justiça”, concluiu o vice-ministro.

Felipe Costa