Sicília entre bilhões e venenos: o orçamento consolidado é aprovado, mas há conflito por atrasos e subsidiárias

Com o voto negativo do PD, Movimento 5 Estrelas, Sul chama Norte e do deputado Ismaele La Vardera, a Assembleia Regional da Sicília aprovou o orçamento consolidado da Região para 2024. Um documento que retrata uma realidade complexa: por um lado o crescimento da solidez financeira reivindicada pelo governo Schifani, por outro as duras críticas da oposição pelos atrasos técnicos e na gestão das empresas investidas.

A demonstração financeira consolidada agrega as contas da Região “mãe” com as de 93 entidades (de um total de 136 que compõem o Gap – Grupo de Administração Pública) entre órgãos instrumentais e empresas controladas.

Os números do equilíbrio entre luzes e sombras

Apesar das críticas, os dados consolidados de 2024 (que agregam 93 dos 136 assuntos) mostram alguns indicadores de melhoria:

Património líquido: sobe para 6,39 mil milhões de euros (face a 3,06 mil milhões em 2023).

Resultado operacional: situou-se em 3,47 mil milhões, apesar de ter diminuído face aos 4,01 mil milhões do ano anterior.

Dívida: a exposição global cai para 14,14 mil milhões, continuando a tendência de redução iniciada em 2023.

Participadas: das 93 empresas consolidadas, 54 registam lucros e 39 perdas, com uma contribuição líquida para o resultado do grupo de 97,6 milhões de euros.

A pressão do PD: “Seis meses de atraso e contratações bloqueadas”

Apesar da aprovação, o clima na Câmara continuou tenso. Mario Giambona, vice-presidente do grupo PD, definiu como “muito grave” o atraso de mais de seis meses na aprovação do documento. “Este atraso teve consequências concretas: o congelamento das contratações e a interrupção das estabilizações”, atacou Giambona. “Após oito anos de centro-direita, ainda falta uma imagem clara dos beneficiários. Um défice de 91 milhões e 39 empresas deficitárias não são um cenário otimista.” O deputado democrata citou então os casos críticos da AST, que perderia cerca de um milhão por mês com aluguer de veículos, e a falta de respostas para os trabalhadores dos consórcios de recuperação.

O “caso SAS”: A acusação de Cracolici

A intervenção mais dura veio de Antonello Cracolici, presidente da comissão regional Antimáfia. Servizi Ausiliari Sicilia (SAS), a maior empresa investida na Região, recentemente no centro de notícias e audiências da Comissão, foi colocada sob lupa. “O SAS parece ser uma máquina clientelista administrada com o único objetivo de produzir um consenso doentio”, denunciou Cracolici na Câmara. “É uma empresa que tem a sua razão de ser na precariedade, com árbitros administrativos a clamar por vingança”. Segundo Cracolici, o SAS não aprovou o seu orçamento, impedindo uma verdadeira transparência na consolidação regional. O presidente da Antimáfia levantou então o caso do conselho fiscal, criado em julho de 2019 e que permaneceu em funções durante sete anos em regime de prorrogação. Situação definida como anomalia sistemática, já constatada no Instituto Zooprofilático. “O governo deve responder: o que está acontecendo com o SAS? É a emergência mais grave desta administração”.

De Luca: “Governo amador e realidade oculta”

Ainda mais dura foi a intervenção de Cateno De Luca (ScN), que apontou o dedo à “crise política” de um conselho ainda não concluído após cinco meses. Embora reconhecesse o trabalho técnico do Conselheiro para a Economia Dagnino na equalização do orçamento de 2020, De Luca acusou o governo de esconder “a poeira sob o tapete”https://gazzettadelsud.it/articoli/politica/2026/03/31/sicilia-lars-approva-il-bilancio-consolidato-ma-e-scontro-sui-ritardi-c412799c-2c41-40e7-aa4a-8a4374c3afd2/.”Faltam as dívidas reais dos IACPs, as questões críticas nas ASP e na exposição do Consórcio Rodoviário que ultrapassa os 250 milhões”, declarou o líder do Sul chama Norte, prevendo um fim antecipado da legislatura até outubro.

Resposta de Schifani

Governador Renato Schifani, que utilizou as redes sociais para manifestar sua satisfação com a aprovação da mudança no orçamento e nas demonstrações financeiras consolidadas. “Recuperamos 1,8 mil milhões de euros e reforçamos ainda mais a solidez financeira. Não são palavras, são factos. Continuamos a construir o futuro da Sicília”, afirmou o Presidente, reivindicando a bondade da acção administrativa e a estabilidade das contas públicas regionais.

Felipe Costa