A diplomacia do Vaticano continua a tecer a sua teia. A trégua, que o Papa saudou, revelou-se muito mais frágil do que o esperado e Leone sabe que as suas palavras e gestos têm peso. Neste contexto conheceu hoje o novo núncio nos EUA, monsenhor Gabriele Giordano Caccia, durante anos representante da Santa Sé na ONU, onde lutou pelo respeito à dignidade de todos, a começar pela dos migrantes.
Cabe-lhe dialogar diretamente com a administração de Donald Trump, à qual o Papa não faz concessões. E Prevost também se reuniu hoje com David M. Axelrod, ex-assessor de Barack Obama e um dos analistas políticos mais atentos dos Estados Unidos. Monsenhor Caccia também se encontrou com o embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, Brian Burch; e é a própria embaixada dos EUA que fala de “amplas discussões sobre as relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé, incluindo oportunidades de colaboração em muitas questões de interesse comum”.
Estas são apenas algumas das peças postas em prática para pôr fim ao conflito no Médio Oriente, que parece estar fora de controlo. E de facto o Papa Leão decidiu não só fazer apelos e convocar uma vigília de oração, como a do sábado 11.
Ele disse sem rodeios que certas ameaças, como a de Trump ao Irão, “não são aceitáveis”. E talvez pela primeira vez um Pontífice convidou as pessoas comuns a mobilizarem-se para se fazerem ouvir pela política (“os congressistas”, para usar as suas palavras). A diplomacia do Vaticano também consiste em arriscar bombas para levar ajuda aos necessitados, como fez nos últimos dias o núncio no Líbano, monsenhor Paolo Borgia.
Ou contestar o conceito de “guerra justa”, no caso daquela travada pelos EUA e Israel contra o Irão, como fizeram alguns bispos corajosos nos Estados Unidos, desde Thimoty Broglio, o general militar, ao cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington. Veja também a intensa pressão do Vaticano sobre Israel. No telefonema com o presidente Isaac Herzog, na véspera da Páscoa, a Santa Sé não só deu uma versão seca e concreta da conversa, face ao que foi comunicado nas redes sociais pelo próprio presidente israelita, como também omitiu aquele adjectivo “cordial” (que nos comunicados diplomáticos da Santa Sé não é negado a quase ninguém) para definir aquela conversa telefónica.
O Papa também falará amanhã sobre a paz, o diálogo e o papel da comunidade internacional com o Presidente francês, Emmanuel Macron, que já é esperado esta noite pela Comunidade de Sant’Egidio e depois à tarde também no Vicariato. Finalmente, um seco “sem comentários” da assessoria de imprensa do Vaticano às reconstruções de uma convocação presente do embaixador do Papa nos EUA (fato que remonta a janeiro, quando o Cardeal Cristophe Pierre era núncio) ao Pentágono; uma indiscrição já negada por muitos partidos, mas que na verdade revela um clima tudo menos relaxado entre a administração dos EUA e o Pontificado que, pela primeira vez na história, é na verdade estrelas e listras.