Trégua no Médio Oriente: Trump suspende ataque ao Irão. Petróleo cai até 18%, gás também entra em colapso

O passo para trás finalmente chegou. Num clima de extrema tensão internacional, Donald Trump anunciou a suspensão do bombardeamento massivo contra a República Islâmica do Irão, originalmente agendado para esta noite.

A decisão veio na sequência de uma “atividade diplomática frenética” e prepara o terreno para o que poderá ser um acordo histórico para a paz na região.

As condições: tudo depende de Hormuz

Através de um comunicado divulgado na sua rede social, Verdade, Donald Trump esclareceu que o cessar-fogo não é incondicional. O ponto de viragem reside na liberdade de navegação: “Concordo em suspender os bombardeamentos por um período de duas semanas, desde que o Irão concorde com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz”.

O papel do Paquistão: trégua também no Líbano

O Presidente revelou que a decisão veio após conversações cruciais com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, que actuaram como mediadores pedindo explicitamente para parar a “força destrutiva” já enviada. “Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irão e os Estados Unidos, juntamente com os seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros lugares”, disse o primeiro-ministro paquistanês no X.

Os dez pontos do acordo

Segundo Trump, a diplomacia fez grandes avanços. O Irão apresentaria uma proposta de 10 pontos, considerada pela Casa Branca como uma “base concreta” para as negociações. Os Estados Unidos e o Irão já chegaram a um acordo sobre quase todos os pontos de discórdia anteriores. Israel também faz parte do cessar-fogo e concordou em suspender as operações militares enquanto as negociações continuam. O New York Times sublinha o papel decisivo de Pequim, que alegadamente instou o Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, a mostrar flexibilidade para evitar uma escalada total.

Os efeitos e próximos passos

O efeito do anúncio foi imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo entraram em colapso com o cessar-fogo. O WTI perdeu até 18%, caindo bem abaixo dos 100 dólares por barril, para 93,03 dólares, reagindo com alívio ao afastamento do espectro de um conflito que teria paralisado o abastecimento energético global. O preço do gás também cai no início do acordo entre os EUA e o Irão para uma trégua de duas semanas, condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz. Os contratos TTF em Amesterdão, o mercado de referência, caíram mais de 19%, para 43 euros por megawatt-hora. A diferença entre BTP e Bund diminuiu no início do dia com a trégua temporária entre os Estados Unidos e o Irão. O diferencial cai para 73 pontos, ante 88,3 pontos no fechamento de ontem. Houve também uma queda acentuada nos rendimentos. O título italiano de dez anos passa de 3,96% para 3,63%.

As próximas duas semanas serão decisivas. Conforme relatado pela Axios, o cessar-fogo tornar-se-á efetivamente operacional assim que o Irão garantir um trânsito seguro através do Estreito de Ormuz. Se as conversações de sexta-feira em Islamabad produzirem um resultado positivo, o Médio Oriente poderá ver-se confrontado com um novo e inesperado paradigma de estabilidade.

Felipe Costa