A criação de rendimentos de mérito para os estudantes universitários da Calábria representa, sem dúvida, uma notícia positiva. Disponibilizar aos alunos mais merecedores e em dia com os exames a realizar, um “tesouro” mensal de 500 a 1.000 euros é evidentemente uma ferramenta para os incentivar a estudar nas universidades desta região e evitar que saiam prematuramente desta terra. Mas será que o problema é realmente convencer as crianças a permanecerem mais dois ou três anos numa universidade calabresa ou preocupar-se com o que encontrarão quando se despedirem das salas de aula universitárias? A realidade mostra números implacáveis. Os últimos dados divulgados pelo Istat falam de uma taxa de emprego entre os 20 e os 64 anos que na Calábria está estagnada nos 48,5 por cento, a taxa dos jovens nos 18,5, enquanto a taxa de não participação no trabalho dos jovens entre os 15 e os 29 anos atinge os 58,2. Em suma, serão 1.000 euros por mês suficientes para reter os melhores cérebros nestas latitudes? O impacto do curso de formação na empregabilidade foi avaliado minuciosamente? É difícil imaginar. Sim, porque se a medida concebida pelo governador Roberto Occhiuto nasceu com objectivos nobres, ou seja, apoiar as carreiras académicas, o problema subjacente continua a ser o “deserto” que existe em torno do subsídio recém-lançado.
Nenhum bónus será suficiente se não forem implementadas políticas estruturais para aumentar os salários e fortalecer um sistema empresarial que, em média, é incapaz de absorver pessoas altamente qualificadas porque não inova processos e produtos. Tudo isto reforça a tendência de não valorizar as competências e de não reforçar o potencial das pessoas. E, portanto, o verdadeiro desafio é garantir oportunidades iguais para todas as crianças que povoam as nossas universidades. Os jovens desta região precisam (e querem) de um futuro com menos zonas cinzentas.