Um navio atravessa Ormuz após o início do bloqueio dos EUA. Trump: “O Irão ligou, quer um acordo”

O Estreito de Ormuz tornou-se palco de um cabo de guerra geopolítico muito tenso. Com a entrada em vigor do bloqueio naval imposto pela administração Trump contra o Irão, os dados de monitorização marítima descrevem um cenário de caos, manobras de emergência e desafios abertos às sanções americanas. “O vice-presidente JD Vance fez um bom trabalho nas negociações com o Irão”, afirmou Donald Trump, sublinhando que o ponto crítico das negociações foi a questão nuclear. «A outra parte ligou» e quer «um acordo. Fomos chamados esta manhã pelas pessoas certas e elas querem trabalhar num acordo”, acrescentou, sem nomear o Irão.

O “desafio” da “frota sombra”

Pouco antes de o bloqueio se tornar operacional esta tarde, o petroleiro Elpis atravessou o Estreito. Segundo dados do Kpler, o navio – registado nas Comores e parcialmente carregado – não é um nome novo para a inteligência ocidental. Já foi sancionado pelos EUA em 2025 e diretamente envolvido no transporte de petróleo bruto iraniano como parte da chamada “frota sombra”. A sua aprovação, que ocorreu por um fio de cabelo, parece ser uma última tentativa bem-sucedida de escapar às restrições antes do encerramento total.

Inversões de marcha e navios à deriva

A entrada em vigor da disposição apanhou de surpresa outros navios, obrigados a fazer manobras rápidas e drásticas: o ‘Ostrià’ (bandeira do Botswana), segundo uma análise da CNN baseada em dados do Kpler, inverteu o curso apenas 41 minutos após o prazo estabelecido por Washington. Enquanto estava entre Omã e os Emirados Árabes Unidos, ele mudou repentinamente o destino pretendido. O ‘Rich Starry’ comunicou pelo rádio que estava “à deriva” na Ilha Qeshm. Os dados da MarineTraffic confirmam que o petroleiro, também sujeito a sanções, inverteu o rumo durante a aproximação ao Estreito, paralisando efetivamente a sua viagem.

O caso de ‘Paya Lebar’

Neste cenário de bloqueios e retiradas, a BBC identificou aquele que parece ser o primeiro navio a cruzar o Estreito sob o novo regime de sanções: o porta-contentores Paya Lebar. Tendo saído da Índia e rumado para Dubai, o navio continuou viagem apesar da proibição imposta a unidades ligadas a portos ou a interesses iranianos. Resta saber se o seu trânsito será contestado pelas autoridades americanas ou se será considerado fora das restrições específicas do bloqueio.

Felipe Costa