Trégua no Líbano prorrogada por três semanas, mas a guerra continua

A trégua no Líbano prorrogada (pelo menos no papel) por três semanas por Donald Trump ocorre em meio a confrontos que continuaram noite adentro e ao longo do dia com foco de violência em Bint Jbeil, antigo reduto do Hezbollah e quase totalmente arrasado por Israel.

Enquanto o presidente americano anuncia que “dentro de 15 dias” se reunirá com os líderes de Israel e de Beirute. Como pano de fundo, teve lugar em Chipre a cimeira entre a União Europeia e os chefes de estado do Mediterrâneo Oriental aliados aos Estados Unidos. No terreno, a realidade continua a ser a de uma guerra que continua sem interrupção.

Combates violentos entre o Hezbollah e o exército israelita estão em curso em Bint Jbeil. As IDF afirmam ter matado 6 combatentes do movimento pró-iraniano na mesma área.

Durante a noite, os ataques israelitas causaram pelo menos três mortes no sul do país, enquanto a artilharia atingiu o vale de Wadi Suluki, uma linha ao longo da qual Israel pretende consolidar a “zona tampão”.

Os bombardeios também afetaram a costa ao sul de Tiro. E explosões e demolições foram registradas em vários locais ao sul do rio Litani. O Hezbollah respondeu reivindicando a responsabilidade por disparar drones contra soldados israelenses em Qantara e alegando ter atingido um veículo militar na mesma área. O movimento também anunciou que abateu um drone israelita nos céus de Tiro com um míssil terra-ar.

O episódio foi confirmado pelo exército israelense. A nível político, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusa o Hezbollah de querer “sabotar” os esforços para a “paz com o Líbano”, afirmando que Israel manterá “plena liberdade de acção” contra qualquer ameaça e de ter atingido alvos no país “ontem e hoje”. Do lado libanês, o Hezbollah rejeita a abordagem do acordo.

O chefe do grupo parlamentar, Muhammad Raad, define a trégua como uma “farsa pérfida”, alegando que o “cessar-fogo” serve, em vez disso, para dar cobertura às operações israelitas e pedindo às autoridades libanesas que se retirem das negociações com Israel.

Entretanto, realizou-se em Nicósia a cimeira entre a União Europeia e os parceiros regionais do Mediterrâneo Oriental, que contou com a participação, entre outros, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do líder sírio Ahmad Sharaa e do presidente libanês Joseph Aoun. E à margem da reunião, o Presidente francês Emmanuel Macron disse que estava pronto para organizar uma conferência de doadores “em apoio ao Líbano”.

Felipe Costa