Novas tensões entre os Estados Unidos e Cuba após a introdução de medidas coercivas por Washington. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, condenou duramente as decisões da administração liderada por Donald Trump, falando de uma “punição coletiva” contra o povo cubano.
A posição do governo cubano
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Díaz-Canel rejeitou “firmemente” as sanções, que também foram definidas como “ilegais” e “abusivas”. Segundo Havana, as medidas afectam indiscriminadamente todo o país, agravando uma situação económica já frágil.
As disposições dos EUA visam entidades que operam em sectores estratégicos da economia cubana, incluindo energia, defesa, serviços financeiros e mineração, bem como funcionários acusados de violações dos direitos humanos ou corrupção.
Uma crise que se agrava
A situação económica na ilha continua crítica, também devido ao bloqueio de combustível imposto nos últimos meses. A redução da oferta causou apagões frequentes e novas dificuldades para a população, enquanto o turismo, outrora um sector líder, registou um declínio acentuado.
Os protestos do Primeiro de Maio
As novas sanções entraram em vigor durante as celebrações do Primeiro de Maio, que assistiram a grandes manifestações em Havana. Milhares de pessoas marcharam em direção à embaixada dos EUA sob o lema “Defenda a Pátria”, numa procissão liderada pelo próprio Díaz-Canel e pelo ex-líder Raúl Castro.
Nas vésperas dos protestos, o presidente cubano apelou à população para se mobilizar contra o que chamou de “bloqueio genocida” e “ameaças imperiais”. As autoridades anunciaram também a recolha de mais de seis milhões de assinaturas em apoio à pátria e à paz, número contestado pela oposição.
Diálogo na balança
As sanções ocorrem apesar dos recentes sinais de abertura entre os dois países, com reuniões diplomáticas a decorrer em Abril. Um diálogo que agora parece estar em ascensão, enquanto a tensão continua elevada entre Washington e Havana.