Magro, magro e careca. De Aquiles Polonaraque voltou a pisar no chão e domar uma bola em segmentos, quase parecia que só restava a regata número 33. A regata Virtus Bologna, mesmo número também usado com orgulho na seleção: nunca foi tão larga nem para um físico escultural como o do jogador de basquete de Ancona. Uma metamorfose comum a quem é obrigado a desligar-se da sua vida… para defendê-la, lutando com unhas e dentes contra o monstro chamado cancro. Um adversário que também foi obrigado a enfrentar o italiano de 32 anos. Passar do treinamento para a quimioterapia não deve ter sido fácil, até porque não era apenas um trabalho que estava em risco, mas todo o resto também; acima de tudo. Família e paixões deixadas de lado para lutar. Mas talvez o seu destino esteja escrito em seu nome: Aquiles. E assim como o mais rápido que inspirou o mito, Polonara lutou arduamente. E voltou a usar bermuda e aquela regata 33. Dois meses afastado por causa de uma neoplasia testicular, uma tomografia computadorizada, uma operação e um tratamento – muito duro – mas sempre com o mesmo pensamento: recuperar a vida, inclusive o basquete. O abraço com os adeptos bolonheses, no dia do regresso aos relvados, retribuiu o esforço realizado nestes malditos sessenta dias: «Foi difícil, mas estou habituado a ir além do esforço». Para ele, foi como pular no rebote, acreditando que conseguiria arrancar a bola, lutando contra um adversário terrível, mas não tão determinado quanto ele.
Felipe Costa
Felipe Costa é um apaixonado pela cultura e natureza brasileira, com uma ampla experiência em jornalismo ambiental e cultural. Com uma carreira que abrange mais de uma década, Felipe já visitou todos os cantos do Brasil trazendo histórias e revelações inéditas sobre a natureza incrível e a rica cultura que compõem este país maravilhoso.