Desde as edições Le Lettere publicadas «Todos os poemas» editadas por Diego Bertelli em 2019, a figura de Bartolo Cattafi (Barcelona Pozzo di Gotto, 1922 – Milão, 1979) voltou a ser central, ainda que não o suficiente, na história da poesia italiana contemporânea. Aquelas qualidades que, mesmo com a publicação nas séries de maior prestígio, foram reconhecidas em sua vida reaparecem com clareza e, em sua precisa identidade literária, suscitam novas reflexões e investigações. Assim Silvia Freiles, de Messina, doutorada em estudos italianos, que em 2016 publicou «A “palavra ilimitada” de Bartolo Cattafi», consegue demonstrar-nos que os estudos sobre o poeta podem ainda ser uma mina cheia de surpresas graças também ao fundo bibliográfico, de mais de mil volumes, que pode ser consultado no centro Apice da Universidade de Milão. Ele faz isso utilizando de uma nova forma material inédito, o que os críticos definem como “duplo talento”, no caso de Cattafi principalmente ligado à pintura (além do desenho e da fotografia).
A referência, porém, não se esgota na atividade do poeta na tela e no papel, mas estende-se a todas aquelas coincidências – ou caminhos comuns – que existem entre os versos e as correntes e os artistas dos seus contemporâneos e não só. O volume «Bartolo Cattafi entre o livro de poesia e o livro de arte» (Olschki Editore, Florença) percorre o Surrealismo e o Futurismo, o Espacialismo (sobretudo), o Abstracionismo. Aborda também a amizade entre Cattafi e outro grande messiniano, também escritor e pintor, Beniamino Joppolo, que – descobrimos – exerceu certa influência na formação do poeta.
Freiles, entre muitas coisas, cita um trecho de uma carta de Joppolo que exalta o caráter “espacialista” de seu amigo mais jovem: «O termo poeta transcende e pode ser aplicado a poucos. Aquela atmosfera cristalina que os jardins têm com os globos vermelhos das laranjas no inverno circula na sua poesia, quando se projetam no universo e se revelam por trás do cristal como um encanto que se tornou plástico.” Freiles centra-se nos “livros de artista”, exemplo de contactos com pintores (nomeadamente Giulio D’Anna, outro estimado natural de Messina) e críticos, que exaltam a modernidade de Cattafi, precursor de um modelo que nos anos mais recentes encontrou multiplicação de interesses e criações.